sexta-feira, 2 de agosto de 2013

 O ENSINO E A ÉTICA NA CONTEMPORANEIDADE
                                                                                                                                                                                                         OuvLer foneticamen 
          O presente trabalho apresenta uma discussão e reflexão a respeito da ética na vida docente,  buscando responder a seguinte pergunta: Qual a relação entre ser professor e a ética? Embasado no artigo: Nas trilhas da ética e da espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico de Auricélia Lopes Pereira, e no texto: Professor, personalidade saudável e relações interpessoais: por uma educação da afetividade, dos autores Juan José Mouriño Mosquera e Claus Dieter Stobaus.
           Em primeira instância faz se pertinente tentar definir o termo ética.
Para o ramo da filosófica, ética e moral tem significados diferentes. A ética está pautada aos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade, a moral por sua vez está ligada aos costumes, normas, tabus e convenções instituídas por cada sociedade.
          No artigo: Nas Trilhas da ética e da espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico, Pereira aborda a questão da ética pautada nas emoções, nos sentimentos, nas questões internas dos sujeitos.
          A autora ao citar Ítalo Calvino aponta que a primeira virtude deixada escrita por Calvino para o terceiro milênio é à leveza. A leveza seria então uma condição de subtração do peso, ou seja, tornar-se mais leve, deixar sair os sentimentos, as questões que afligem o ser humano. Discute também que um dos enormes desafios para o século XXI: é tornar o mundo mais leve, diante de um mundo das constantes informações e mudanças. O mundo contemporâneo está fragmentado, como adquirir leveza diante de um mundo carregado, e afetado pela violência?! Precisamos urgente rever as relações sociais, as relações do ser humano com o meio em que vive. Vivemos em um mundo de imagens, constantes acontecimentos e mudanças, o efêmero, isto é, aquilo que dura apenas um instante, que se esvai, mesmo assim pode ser um peso para a alma. O que é efêmero em uma instância em outra é continuidade, a efemeridade deixa marcas.
         O professor em sua vida docente necessita ter consigo leveza, para que possa subtrair o peso acerca das energias “negativas” diariamente.
 Um mundo cada vez mais diverso, onde todos são diferentes e ao mesmo existem igualdades, o saber na contemporaneidade já não dar conta das inquietações que faz parte desses novos tempos. Não que o docente não deva dominar sua área de conhecimento, pelo contrário, o professor atual deve dominar sua área de formação, porém precisa está ligado em outros assuntos, e o grande paradigma da atualidade são as pontos internas do sujeito. O professor não é um terapeuta, na sua formação docente estuda psicologia justamente por necessitar de um olhar sensível acerca do outro.
           Diante dessas considerações percebeu-se que a ciência costumeiramente tende a separar o corpo e o espírito, razão e emoção. Não devemos entender a ética não apenas como um conjunto de regras, do qual o individuo é constituído, e sim a ética faz parte da existência desses indivíduos, é sua maneira de se colocar no mundo, é sua filosofia de vida. Enquanto a moral que são as regras estabelecidas por uma instituição, a ética faz com que o sujeito administre a si mesmo. A ética tem o objetivo de tornar o sujeito único, a moral apenas classifica-o.
Ainda no artigo nas trilhas da ética e da espiritualidade, a autora infere que Felix Guattari, na década de 90, resgata a ética a partir do conceito de ecosofia. No seu entender a ecosofia restaura a ética como campo prático da vida. A ecosofia vem a significar um cuidado com o mundo, com a sociedade e com o individuo, não passa pela norma, pela moral, passa por outra atitude frente ás diferenças éticas, estéticas, sociais, culturais e subjetivas.
A ecosofia considera que o pluralismo é primordial e o respeito aos outros devem consistir em todas as ações dos indivíduos.
            O ser humano tende a simbolizar o mundo, no processo de simbolização ou de dar significado ao mundo produz também às singularidades, isto é, as diferenças. A diferença não deve ser vista como algo a ser eliminada e sim um elemento a ser explicado, compreendido, uma vez que faz parte de todos. A ecosofia social prioriza uma compreensão do mundo plural, essa compreensão não visa à decodificação do outro, é respeitar a peculiaridade do outro, o desafio do professor na contemporaneidade é ter essas percepções, saber que vive num mundo plural e que precisa ter uma posição acerca de uma atitude levando em conta a ecosofia social. O outro tem suas diferenças, mas são elementos que fazem parte do humano, não sendo negativo ou positivo necessariamente.  A ética e a espiritualidade na vida docente é uma das características a ser priorizada. O professor deve aprender a conviver e a falar das diversas culturas, sem estereótipos, é reconhecer que existe, sem basicamente impor um juízo de valor.
           O mistério, segundo o artigo Nas Trilhas da Espiritualidade, o mistério a estranheza são dimensões do viver. Segundo Pereira ao citar Guattari coloca que: “A ecosofia social e ambiental impõe antes de tudo uma reinvenção do sujeito. Só um sujeito ético está capacitado a viver num mundo que tem como signo a pluralidade. Só um sujeito ético é capaz de, mesmo sem compreender no seu todo, a diferença, acolher a sua estranheza”. (PEREIRA, p.2).
            Num mundo da diversidade um grande modelo para a educação é a compreensão. São perguntas que devemos fazer diariamente: - Como estamos nos relacionando com o outro? Como estamos compreendendo o outro? Como estamos entendendo as diferenças?   A compreensão é um dos elementos primordiais para a vida e para o processo de educação. Como seres viventes no mundo, significamos esse espaço onde habitamos, interpretando nossas experiências dando sentidos as coisas, a nós e também ao mundo. Esses sentidos são possíveis graças às impressões pessoais que também dialogam com o sentido histórico, uma vez que o ser humano é biopsicossocial.          Compreender significa diminuir a distância entre eu e o outro. Para compreender a distância entre o eu e o outro, primeiro é preciso compreender a distância entre o eu e minha imagem, ou seja, compreender a si mesmo. A leveza é, pois uma atitude em relação ao outro, não estabelece uma decodificação ou explicação, mas aceitar o outro nas suas peculiaridades. A educação num mundo da diversidade acolhe a diferença, porém só há acolhimento quando há aceitação e consequemente só há aceitação quando há visibilidade.
           Ao pautar a ecosofia social no acolher a diferença, o acolhimento do sujeito por si mesmo pode ser entendido como ecosofia mental. Trata-se de fazer um exercício de si para si mesmo (autoconhecimento). No mundo contemporâneo precisa-se de um profissional que tenha um pensamento ou reflexão sobre si mesmo e sobre o outro, não como um julgamento, mas como uma forma de acolhimento. Uma das atribuições dos professores é de acolher o outro, acolher a diferença.
          As relações da ética na contemporaneidade não se atem apenas questão respeito, porém a filosofia de vida. A partir do momento em que o profissional tem afeto pela profissão ou área de conhecimento e pesquisa a qual escolheu, passará esse êxtase aos educandos. Os educandos intuem quando o educador ama a disciplina a qual leciona.
          A filosofia de vida implica numa sabedoria, para os gregos existia o saber útil que tem sua ascendência na espiritualidade. O saber útil não era para todos os cidadãos,e sim para aqueles que apresentavam uma meta existencial, desenvolvendo seu próprio eu, posto o seu ethos, modo de ser. O saber útil estava ligado à Phronesis, o saber que se propõe a refletir a respeito dos enigmas da vida e como acessar o eu.
 A ecosofia mental estabelece que a educação, e o apotegma pedagógico sugerem o retorno ao espiritual. A espiritualidade conduz o homem a um saber terapêutico, assim o professor precisa dessa espiritualidade para que possa conduzir a si mesmo e aos educandos a um saber terapêutico. Para os filósofos antigos existia a enkratéia (uma dobra de força que o sujeito faz sobre si mesmo, sobre sua própria vida). A phronesi é o saber que serve para responder as inquietações da vida do sujeito. Acreditar numa ética que o sujeito utiliza para si mesmo, fazendo de si e da vida uma obra de arte. Não levaremos em conta apenas as experiências adquiridas ao longo da vida no que diz respeito às conquistas de estudos e diplomas, contudo pelo ser que nos tornamos, que somos e queremos ser. Que marcas queremos tirar de nossa alma? Como chegaremos à outra maneira de viver? Como lidar e aprender a conviver com os nossos fragmentos? Como ser ético numa profissão que exige tanto de nossos esforços internos e externos?
            A autora Auricélia ao citar Pelbart assevera que: “em algum momento algo acontece e a vida racha ao meio, desequilibra-se de modo que suas metades já guardam proporção alguma entre si.” (PALBART,1998).
            Geralmente “esse desequilíbrio da vida”, essa intranquilidade não é algo essencialmente negativo. O sujeito mesmo passando pelas fases difíceis da vida, precisa entender que isso é apenas um dado que faz parte do humano. É o sujeito que imprimi valor a esse dado, porém é apenas um acontecimento. Os dados não são carregados de peso, o peso é o sujeito que ao imprimir significados a esse dado pode interpreta-o como peso. O sujeito pode então ter um novo olhar sobre esse dado, esse interpretar os dados não precisa ser negativo, sempre se tem outra forma de olhar e ver a vida.  
           A vida emocional e a relação interpessoais dos professores, em sala de aula, um tema bastante discutido nos últimos tempos.  De acordo com os autores  Mosquera e stobäus  (2002) que infere Biddle, Good e Goodson (2000), citam Humber: que chamava a atenção da tentativa infrutífera de separar a vida pessoal do professor e de sua vida profissional. Lembram que um professor com mais condições de ser bem sucedido seria aquele que poderia e deveria desenvolver uma personalidade saudável e melhores relações interpessoais, tentando encaminhar-se para uma educação afetiva. ( MOSQUERA/STOBÄUS, p.91, 2002).
            Considerando as questões diárias emocionais afetivas, no campo pessoal e profissional enfrentadas pelos professores, percebe-se que suas relações interpessoais estão estreitamente ligadas a forma como ele lida com sua afetividade.  Entretanto, uma das situações mais difíceis de administrar é a hostilidade em sala de aula, na qual o profissional no ensino deve procurar identificar seus incômodos sem projetá-los no campo profissional. Essa hostilidade pode ter várias origens, internas ou externas, causadas ou absorvidas. Ao identificar as origens dessa hostilidade, será possível melhor desenvolver uma relação interpessoal com o grupo. 
            Ainda se tratando das relações interpessoais, o texto fala da personalidade saudável, onde se questiona o que é saúde, o que é doença, e qual a relação do professor na atividade docente. Entendendo a personalidade saudável de acordo com o texto seria quando uma pessoa consegue desenvolver sua capacidade critica e ouvir a sua voz interior, identificando os sinais de doença, dessa forma também terá a capacidade de ouvir o outro, compreendendo suas relações.
Conforme enfatiza os autores: Mosquera, Stobäus:

Frequentemente nos custa muito pra ouvir os outros, estamos muito mais preocupados em que nos ouçam, porém pouco dispomos a ouvir. O ouvir os outros e aprender a vê-los como são realmente é fundamental para as relações interpessoais, em especial para os professores que devem está muito atentos e poder, assim, agir melhor na realidade. (MOSQUERA, STOBÄUS; p. 97, 2002)

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Assim, o princípio para uma boa relação interpessoal, está no alto desenvolvimento, onde o profissional saiba ouvir além de ser o mediador do conhecimento, estabelecendo uma postura humana e reflexiva. Ao ministrar o conteúdo, o professor proporciona o fluir da comunicação, pois seu foco são as pessoas, e estas passam diariamente por transformações, internas e externas, estão sempre em desenvolvimento, quebrando seus paradigmas, vivenciando complexos e mudanças. Mas o professor não é diferente do seu foco, procura, portanto, construir-se diariamente para melhor compreender as pessoas e seu ambiente suscetível a constantes mudanças.
Diante das considerações, trilhando o caminho da docência pela ética, identificamos que o professor não é um ser passivo diante das transformações sociais, este perante seu desdobramento traduz o acolhimento a vida, projetando um novo olhar.








 REFERÊNCIAS

MOSQUEIRA, Vera Mauriño Mosqueira e STROBÄUS, Claus Dieter. O Professor, personalidade saudável e relações interpessoais: por uma educação da afetividade. IN: ENRICONE,Délcia.(Org). Ser Professor. Porto Alegre: EDIPUSRS, 2002, P.91-108.

PEREIRA, Auricélia Lopes. Nas Trilhas da ética e da espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico.
UMA MENTE BRILHANTE: UMA ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DA FIGURA DO DOENTE MENTAL SOBRE A VISÃO DA PSICANÁLISE

                                                                     Davi Querino da Silva


Resumo

Este artigo apresenta uma análise e reflexão do filme Uma Mente Brilhante, destacando a representação da imagem da loucura, portanto no que concerne a percepção imagética acerca da suposta visão dos cineastas e de  uma literatura relevante a temática.
Uma série de filmes vem à mente, porém destaca-se aqui o que enfoca a figura do “doente mental” em vários momentos. Geralmente o dito “louco” é caracterizado pelo descontrole, impossibilitado de uma vida social contrapondo-se aos conhecidos como “normais”.

Palavras-chave: Cinema, arteterapia e loucura.

 



ABSTRACT

This article presents an analysis and discussion of the film A Beautiful Mind, highlighting the image representation of madness, so in terms of image perception about the alleged vision of the filmmakers and a theme relevant literature.
A series of films come to mind, but stands out here that focuses on the figure of the "mentally ill" at various times. Usually called "crazy" is characterized by lack of control, unable to socialize in opposition to the known as "normal."

Keywords: Cinema, art therapy and madness.


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1.  Introdução.

            O presente trabalho apresenta uma análise e reflexão do filme Uma mente brilhante, destacando a representação da imagem da loucura, portanto no que concerne a percepção imagética acerca da suposta visão dos cineastas e de uma literatura relevante a temática.
            Uma série de filmes vem à mente, porém destaca-se aqui o que enfoca a figura do “doente mental” em vários momentos. Geralmente o dito “louco” é caracterizado pelo descontrole, impossibilitado de uma vida social contrapondo-se aos conhecidos como “normais”.
            Os filmes discutem padrões de estereótipos. Se fosse possível traçar uma breve classificação dos modos como são postos em cena, teríamos filmes que trariam a doença mental como patologia biológica, cultural e como momentos. Nesse inventário, o que distingue o “louco” do “não louco”, do “normal” do “anormal”, quando posto em cena configura-se como uma instancia que fazem com que aqueles que se deixa envolver pela idéia do normal ou anormal se afaste um do outro. Desse modo, passa-se a questionar e refletir sobre  como o “louco” é visto pelo cinema.

















2. Analise do filme uma mente Brilhante

            Uma mente Brilhante é um filme de Ron Howard, que traz na sua estética a doença mental e a genialidade de John Nash, matemático que aos 21 anos formula um teorema que o tornou aclamado na sua área de atuação. Mas em pouco tempo ele torna-se um homem atormentado, tendo constantes alucinações, chegando a ser diagnosticado como esquizofrênico[1], mas após anos de luta consegue reverter esse quadro, sendo  premiado com o Nobel.  A esquizofrenia  deve ser entendida como uma clivagem do ego.
             Nash era obcecado pelo perfeito, e racional ao extremo, esse era um fator que acabou o afastando das outras pessoas, vivendo isolado. Na universidade, sentia-se um fracasso, era igual a todos, no entanto tinha mania de grandeza, objetivava ser brilhante sempre, obcecado na idéia de encontrar a teoria original  que o colocasse em destaque ( então aparece seu amigo Charles), que o aconselha a procurar  ou buscar respostas observando as pessoas, a paisagem, a natureza e não preso entre quatro paredes, com o elevado ego.
            Mas foi em Alicia na aula de matemática ministrada por ele que o chamou atenção, pela forma singela e simples como ela tornara as coisas e até os problemas ou equações matemáticas mais fáceis.
            Mais tarde eles se apaixonam e se casam, em seguida tem um filho. Tudo aparentemente estava bem, John trabalha muito, até que  se descobre que havia algo fora do comum, ele começa a ter delírios e alucinações. Alicia é obrigada a interná-lo em um hospital psiquiátrico, onde é diagnosticado como esquizofrênico.
            Acerca da esquizofrenia Nasar descreve que:
  se assim podemos dizer, a esquizofrenia pode ser uma doença do raciocínio  particularmente nas fases iniciais.  A partir do inicio do século XX, os grandes estudiosos da doença observaram que os pacientes incluíam pessoas com mentes brilhantes, que os delírios  que muitas vezes, embora nem sempre, apareciam com o distúrbio incluíam vôos da imaginação sutis, sofisticados e complexos.
( NASAR, 2006, P. 24)

            O filme segue com uma serie de desafios, John luta contra a sua suposta doença  e contra o preconceito.
            John Nash se “cura” na medida em que foi capaz de discernir  entre o real e a alucinação, quando ele percebeu que a “ menininha”(visível só na imaginação dele) não crescia.
            Ao observamos a função do ego do personagem provavelmente seu senso de percepção do mundo estava alterado culminando nas alucinações, isto é, a vida de decodificador secreto não existia, e seus pensamentos transformaram-se em delírios[2].
Ao orientar-se psiquicamente e alopsiquicamente, consegue controlar os momentos de neuroses e/ou psicoses.
            O filme chama-se uma mente brilhante justamente porque o paciente pode perceber o que fazia parte do contexto real e o que estava no campo da alucinação.
            Ele continuou sentindo alguns “sintomas”, porém passou a ter consciência da realidade e aceitou, culminando com a superação dos efeitos dos sintomas.
            Acerca do sintoma Krutzen assevera que: o sintoma é uma saída, uma produção que precisa  ser positivada, contemplada em sua dimensão de resposta a um momento de crise. ( KRUTZEN, 2008,p. 15).
            Uma cena importantíssima e pertinente destacar é quando os “amigos” imaginários de John, o incita matar a sua esposa, ele volta à realidade e lutará contra isso e começa a se tratar. Esse voltar à realidade é a atuação das funções e dos mecanismos de defesa do ego.
            Nesse momento é perceptível que John Nash teve consciência do que estava acontecendo, ou seja, há uma ação do ego e do superego nesse processo. O fator importante no processo de “tratamento” do paciente foi o seu mecanismo de defesa, que em algumas instancias pode ser entendido como um surto psicótico ou a neurose e a consciência dessa fase pela qual ele estava passando.
            As constantes crises esquizofrênicas de John podem ser em detrimento da obsessão pelos teoremas. Em suas alucinações vive um mundo de fantasia, onde o mesmo é um decifrador de códigos que trabalha para o pentágono e conseqüentemente  deverá manter o sigilo profissional. Depois acaba sendo perseguido pelos supostos membros.
            O filme apresenta uma narrativa muito fragmentada e por vezes sem nexos, talvez o espectador só se der conta que se trata de alucinações, praticamente na metade do filme.
            O filme foi baseado em um livro de Sylvia Nasar, e roteirista Akiva Goldsman.
É interessante observar que o filme, traz nos seus elementos fílmicos o louco como individuo que tem ou teve uma atividade na vida social, contradizendo a concepção de que alguém que aparenta um distúrbio ou momentos de psicoses seja  incapaz de exercer uma profissão ou de conviver com as outras pessoas.
            No final do filme o personagem John Nash diz para Alicia em publico:
Sempre acreditei em números, em equações  e na lógica que leva a razão. Mas depois me pergunto: o que é mesmo a lógica, quem decide o que é racional? O delírio e de volta então fiz a descoberta mais importante da minha vida, a descoberta nas equações do amor, onde alguma lógica existe. Estou aqui por sua causa, você é a razão pela qual  existo, você é minha razão[3].
            Nessa cena e trecho fica evidente um dos elementos impulsionador para as transformações na vida de John Nash, o amor, ou seja, alguém que o escutou em seu significante, havendo um compartilhamento do “ sintoma” que não é mais dele.






















3. Considerações Finais

            A  analise e as pesquisas cinematográfica acerca de Uma Mente Brilhante aponta para que a representação da imagem do doente mental é entendida como momentos de psicoses e neuroses. Esses momentos não devem ser entendidos como patologias, pois a psicanálise entende que esses surtos fazem parte do humano, é uma maneira de defesa de re-estabilizar algo que não esta funcionando bem ou alterado.
           No filme Uma mente Brilhante John Nash é um neurótico que era obcecado pelos teoremas matemáticos e tinha alucinações. 
            O personagem só consegue se cuidar ou deixar que o cuide quando consegue distinguir o que fazia parte do contexto do real e que estava no mundo das alucinações e fantasias. Isso foi possível por ter encontrado alguém com quem pode compartilhar a sua dor ( o conectar-se, está em rede). John não deixou de ver seus “fantasmas” ou seus amigos imaginários, apenas aprendeu como enfrentar essas fases de sua vida.
 A história de John Nash discute a genialidade, a loucura e um novo despertar.





























4. Referencias

Esquizofrenia. Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/voce/esq.html, acesso em 20.10.2010.

Delírio. Disponível em: http://www.psicosite.com.br/tra/psi/psicose.htm, acesso em 10.10.2010.

NASAR, Sylvia. Uma mente Brilhante.  Rio de Janeiro: Record, 2006.

PENAFRIA, Manuela. Análises de filmes- conceitos e metodologia (s). Disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/bocc-penafria-analise.pdf, acesso em 02.10.2010.

CORREIA, Eugenia. Psicanálises e educação: a escola nova em perspectiva. Brasília:  Iattermund, 1997.


UMA Mente Brilhante. Diretor: Ron Howard. Interpretes: Rossel Crowe, Jennifer Connelly, dentre outros. Roteiro: Akiva Goldsman.  1 DVD ( 136 mim ) color NTSC..Studio Universal Pictures.

KRUTZEN, Eugenia Correia. Oficinas terapeuticas: elementos na interface arte e psicanálise. Rio de Janeiro: T.mais.oito, 2008.



[1] O termo "esquizofrenia" foi criado em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler com o significado de mente dividida. Ao propor esse termo, Bleuler quis ressaltar a dissociação que às vezes o paciente percebia entre si mesmo e a pessoa que ocupa seu corpo. Hoje é o nome universalmente aceito para este transtorno mental psicótico, entretanto, no meio técnico e profissional se admite que o termo pode ser insuficiente para descrever a complexidade dessa condição patológica.
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/voce/esq.html, acesso em 20. 10. 2010
[2] O delírio é toda convicção inabalável, incompreensível e absurda que um psicótico tem. Disponível em: http://www.psicosite.com.br/tra/psi/psicose.htm, acesso em 10.10.2010.
[3] Trecho retirado do filme Uma mente Brilhante.
Heresia ou loucura: as representações da imagem do homem nas cenas do juízo final na Idade Média e no Renascimento.

Davi Querino da Silva

Universidade Federal da Paraíba

Resumo
Este artigo tem por objetivos situar e discutir as definições e questões que envolvem a noção imagética e idealística no cenário da Idade Média e a concepção de Juízo Final.  Possibilitando um novo dialogo acerca das  imagens representadas do Juízo  Final da Idade Média e dos renascentistas. A Idade Média em geral suas temáticas priorizam  a imposição dogmática através da imagem do pecado e do medo, uma vez que nada mais deveria ter importância na terra  a não ser a figura do cristo. O Renascimento se contrapõe por valorizar a razão em detrimento a religião, acredita-se na ciência e o homem como centro do universo. Procurou-se fazer uma relação entre “heresia” ou loucura nesses períodos e supostamente nas representações das cenas do juízo final medieval e/ou renascentista.
Palavras-chave: Historia da Arte, juízo final  e loucura.


Abstract

This article aims to locate and discuss the definitions and issues surrounding the notion imagery and idealistic scenario in the Middle Ages and the design of Judgement. Enabling a new dialogue about the images depicted the Last Judgement of the Middle Ages and the Renaissance. The Middle Ages generally prioritize their issues through the imposition of dogmatic image of sin and fear, since nothing else on earth should it matter unless the figure of Christ. The Renaissance is opposed to value reason over religion, we believe in science and man as the center of the universe. We tried to make a connection between "heresy or madness during these periods and supposedly the representations of scenes from medieval doom and / or Renaissance.

Keywords: Art History, doom and madness

1. Introdução

Este artigo tem por objetivos situar e discutir as questões que envolvem a noção imagética e idealística da Idade Média. Partindo do conceito do que foi a Idade Média e qual a função da arte nesse período e no Renascimento. A Idade Média caracteriza-se pela ascensão da igreja católica, pela crença em um único Deus criador do céu e da terra,  e pela concepção do pecado original dentre outras.
O modo ou a forma como os artistas trataram os temas ou assuntos ligados a arte e a igreja serão diferentes em ambos os períodos, para arte medieval era importante a imposição dos dogmas da igreja, para os renascentistas era o culto a figura do homem como belo ou com expressão de uma visão espiritual.
As características da Idade Média são: o Teocentrismo,  economia de subsistência ,  a divisão da sociedade em três classes: o clero, a nobreza e os camponeses, essa situação de hierarquia era estática. Procurou-se discutir  as questões que envolviam “o processo do fazer artístico”, valorizando as noções dogmáticas da igreja, a concepção de Juízo Final  influencia na relação com o mundo humano ao divino e vice-versa, diferente do renascimento que priorizou-se a figura do homem como centro do universo.
Pode-se perceber que as formas como serão representadas as figuras no juízo final da arte medieval e dos renascentistas são divergentes, por varias situações, como por exemplo, o contexto histórico, social e cultura de ambos os períodos.












2. A Idade Media e o Renascimento.

         Existem várias definições para o termo Idade Média, alguns historiadores chamam de idade das trevas por talvez acreditar  não haver avanço cientifico no período em que a igreja católica controlava toda informação, ou supostamente pelas características de perseguições aos hereges e o culto na crença que tudo é pecado, a idéia do pecado original, do juízo final ou ainda por ser um período que situa-se entre a antiguidade clássica  e o renascimento italiano.( Janson, 1996).
         A Idade Média é um imenso intervalo de tempo entre a Antigüidade Clássica e a Idade Moderna ou modernidade. Alguns historiadores situam seu início entre o ataque dos bárbaros a Roma, após a morte de Teodósio (395 d.C.) e a tomada de Roma por Alarico (410 d.C.) ela termina em torno de 1453, ano da tomada de Constantinopla pelos turcos.
Nesse período, sob a influência do cristianismo, acreditava-se que o mundo era um todo organizado de acordo com os desígnios de Deus. Por isso, tudo e todos obedeciam à ordem divina. Os insanos, assim como os retardados e os miseráveis, eram considerados parte da sociedade e o principal alvo da caridade dos mais abastados, que assim procuravam expiar seus pecados[1].

            Contribuíram para o surgimento da Idade Média, a ascensão da igreja católica e o Teocentrismo, a sociedade era eminentemente rural com as pessoas residindo em feudos, comercio frágil etc. Hierarquicamente está dividida em três camadas sociais: o clero, nobreza, e os camponeses ( servos).
            Com a queda de Roma  e ascensão do poder da Igreja Católica na Idade Média o culto ao belo passou ao culto a figura do cristo, enfocando nos cristões, a idéia de salvação e vida eterna. Enquanto para os egípcios a arte era voltada para uma vida após a morte, na Idade Média, mesmo crendo na possibilidade de uma visa pós morte, a arte era centrada na imposição dos dogmas da igreja como forma de ensinamento e doutrina.
Não havia  necessidade em representar de forma realista  o mundo, e foram proibidas o culto a algumas imagens,   como por exemplos  os nus muito cultuados pelos greco-romanos.A arte medieval  fugia dos padrões clássicos e talvez por essa e outras razões passou a ser vista como algo grosseiro, daí mais tarde  se   chamara de gótica ou mesmo  bárbara.
A pintura se desenvolveu mais como afresco ou nas iluminuras durante a arte medieval, era comum as representações de cenas bíblicas em mosaicos e tapeçarias.  A escultura era incorporada a arquitetura como se ambas fizessem parte do mesmo espaço.
Na Idade Média era comum  grandes edificações  em detrimento do grande número de guerras ocorridas nessa época, as construções tinha como fim a proteção dos reis e senhores feudais, suas famílias e bens, contra ameaças ou conflitos.  os castelos também serviam de pontos estratégicos na conquista de novos territórios. Palácios e igrejas em algumas situações eram construções monumentais, tudo como formar de demonstrar o controle diante da sociedade, dentre as estratégias usadas nesse período estava a santa inquisição.
Ficou conhecido como santa inquisição um poderoso instrumento em que a igreja católica utilizou-se como forma de punição aos hereges. Naquela época, praticamente tudo simbolizava pecado, logo os fies iam se confessar e conseqüentemente cada confissão implicava em pagamento de indulgencia a igreja, essas e outras façanhas foram primordiais para o enriquecimento da igreja e sua expansão do poder. No contexto artístico, toda arte estava a serviço da divindade centrada na figura do cristo ou de um Deus único o qual dominaria todo o mundo, não  caia sequer uma folha se não fosse vontade dele, o chamado Teocentrismo.
            Com o Cristianismo a história se torna linear: há um ponto de partida (gênese), um de inflexão (encarnação) e um de chegada (juízo final). Portanto, linear, mas não ao infinito, pois há um tempo que só Deus conhece limitando o desenrolar da passagem humana.[2]
            O Renascimento foi movimento artístico e cultural que surgiu na Itália nos finais da Idade Média, retomando os princípios da antiguidade clássica. Características renascentistas: humanismo, antropocentrismo ( o homem é considerado o centro do universo) em contraposição ao Teocentrismo,  valorização da razão e cientificismo.



3. A relação entre heresia e loucura

            Na Idade Média a relação entre heresia[3] e loucura não andava muito distante, apesar da igreja não considerar a figura do doente mental totalmente como herege, esse era visto como lunático, bobo, ou comumente como alguém que estava possuído pelo  diabo. Eram comuns os rituais de exorcismo e ainda de castigos a algumas dessas figuras. É provável que a medicina não reconhecesse a loucura como uma doença mental, já a igreja via apenas como um ser bastardo e anormal, o qual recebeu um castigo de Deus por algum pecado que ele ou alguém da família tenha cometido.
            Não se tem conhecimento quanto à representação dos doentes mentais ou loucos na arte da Idade Média. Porém as cenas do juízo final representam figuras bizarras e muitos possuídos por maus espíritos, em algumas situações a figura do louco pode aparecer de forma implícita pela idéia de loucura poder ser considerada com uma forte perturbação mental e não seria difícil em meio a tantas regras e imposições impostas pelo teor religioso e a crença na ardência no fogaréu  do inferno. Deve-se considerar que as pressões causadas nesse período aos fies, seriam suficientes para ocasionar sérios danos psicológicos.
            A figura humana não é vista com auto-suficiente, capaz de resolver seus problemas, cabia ao Deus encarrega-se dessa tarefa. Sendo assim, quem não conseguisse viver conforme seus desígnios,  estaria condenado a tal julgamento.
            A Inquisição reconhecia a loucura como uma doença que afetava diretamente os “miolos”, os inquisidores não afirmavam que se tratava exclusivamente de heresia. Este parecer não diferia muito do conceito popular com respeito aos doidos, nem tão pouco dos médicos que nesta época praticamente desconheciam doenças mentais.[4]
            A face da loucura na Idade Média estava entrelaçada no ambito da ira, de um ser possuido por magoas ,e revoltas.
Segundo  Alberto:

No período medieval , com frequencia ira e loucura aparecem associadas. Atos descontrolados, onde a colera toma conta do ser, de bravura furiosa,insanos pode ser relacionados a loucura por seu carater de afastamento da razão. Em contraponto, o louco , frenético ,possuido,furioso ,pelas suas ações e tomado de acessos de ira. Locura e ira são, portanto, muito proximas, e pela ambiguidade concernente a ambas,por suas varias  caracteristicas semelhantes, as fronteiras entre elas nunca estiveram claramente delineadas.[5]

            Acerca da representação da imagem do homem nas cenas do Juízo Final Hieronymus Bosch foi um dos artistas que pintou fantasticamente essa cena nos fins da Idade Média. Posteriormente no período renascentista, Michelangelo faz as cenas do juízo final na Capela Sistina. A própria noção de juízo refere-se a bom senso, cautela, ponderação, prudência e outras significâncias. Esses sinônimos da palavra juízo, são antônimos do conceito de louco, ou seja,de um individuo da não razão e “desajuizado”.
            No período renascentista a loucura passa a ser associada à razão. De acordo com CARBANEZE:
O Louco no Renascimento é representado pelo homem que erra de cidade em cidade, navegando na nau dos loucos em relação direta com a sabedoria e a verdade. O autor cita  foucault que inferi: “ ( ) confiar o louco aos marinheiros era com certeza evitar que ele ficasse vagando indefinitivamente sobre os muros da cidade, é ter a certeza de que irá para longe, é torna-lo prisioneiro de sua própria loucura.” ( Foucault, 1978, p.11-12)[6]
     










4. A incorporação das imagens do juízo final aos templos e igrejas medievais e no renascimento.

            As cenas do Apocalipse e do Juízo Final era uma verdadeira persuasão imagética acerca do inferno que estaria por vir. A idéia seria que Deus castigaria os hereges e os que estivessem em pecado, quando chegasse o fim dos tempos. Por isso as cenas eram postas nas igrejas como uma forma de impor medo aos fies. Era um mundo agonizante o mundo do inferno, repleto de figuras maléficas, com espetos ou garfos nas mãos, prontos para apunhalar qualquer um que não vivesse condizente com as leis divinas.
         Na visão apocalíptica do Juízo final [C.f. infra figura1], mostra de modo expressivo e dramático o interrogatório das almas. Perceber-se que os mortos saem de seus túmulos amedrontados, são atacados por serpentes e bichos estranhos. As figuras são deformadas com o intuito de enfatizar o drama, a sensação de horror e angustia diante do julgamento.

                       
                                             Figura 1: juízo Final ( detalhe) – Catedral  de Autum
                                             Fonte: http://hae2.blogspot.com/2008_03_01_archive.html

Sobre a figura [ C.f. ultra, fig.1] Janson ( 2005) escreve:

O pormenor da gravura do juízo final da catedral de Autum
 mostra parte da metade direita do tímpano, com a pesagem das almas. Em baixo os mortos erguem-se das sepulturas , tremendo de medo ; alguns estão a ser atacados por serpentes ou apanhados por  mãos enormes que parecem garras. Na parte central, a sorte de cada um pende literalmente da balança, com os demônios  puxando para um dos pratos enquanto os anjos puxam do outro. As almas eleitas, agarram-se  como crianças às vestes do anjo, buscando protecção, ao passo que os condenados não escapam aos diabos de presas agudas que os atiram para a boca do inferno. (Janson, 2005, pag. 291).

            Acreditava-se que toda alma possuía um peso, poderia variar de acordo com cada pecado. A balança servia para medir, como enquadramento, e o peso do certo ou errado.
            As almas que pesassem mais que o permitido pela balança, arderia no fogo com enxofre nas profundezas do abismo. Sendo então um cenário perfeito, que se usaria como formar de amedrontar as pessoas. Esse modo de representação foi viável devido aos aspectos sociais e culturais da época, o intuito seria de um feitio de dominação social.
            As cenas do juízo final apresentadas por Fran Angélico [ C.f. infra figura 2 ], é algo totalmente voltado para o universo sobrenatural, no plano divino encontra-se Deus reunido com as figuras angelicais, no plano das almas perdidas encontra-se uma batalha pelas conquistas das almas.



                              
                                     Figura 2: Juízo Final- Fra Angelico
                                     Fonte: http://dimensaoestetica.blogspot.com/2009_07_01_archive.html


            O Juízo Final representado por Michelangelo [C.f. infra, figura 3] foi inspirado nas narrativas bíblicas.
            O Juízo Final de Michelangelo seria uma reação a crise social e cultural que atingia aquele momento. A temática trata de um dogma cristão, discute o drama  humano em um momento de  insegurança, e incerteza, quando o homem deixa de apenas ser visto como o centro do universo, tendo assim fazer um equilíbrio entre o mundo humano e o divino. Seria então a demonstração de instabilidade política e religiosa ocasionada pela  reforma.
             Diferente do Juízo Final da Idade Média, em Michelangelo no Renascimento a ênfase é a beleza física inspiradas nos greco-romanos, e  a utilização do corpo humano como expressão de uma idéia espiritual.
            A composição é aparentemente harmônica, não no sentido de unicidade e estabilidade estética, mas com vários personagens em situações dramáticas e agonizantes. São enfatizadas as figuras com formas de volumes e escultóricas.
            Enquanto nas cenas do Juízo final da Idade Média enfatiza-se a deformação da figura para expressar dor, sofrimento e os personagens sempre como se estivessem em outro ambiente diferente do mundo real.
             No renascimento Michelangelo dar ênfase nas figuras e as põem em ambiente terreno ou com aparência natural. Pois no Renascimento prioriza-se a razão em detrimento da emoção religiosa, antepõe-se a figura do Deus como centro do universo passado essa função ao homem. O homem pode influir em seu próprio destino, sem  necessariamente considerar  os “fatos” supostamente impostos pela divindade.
                                  
                                   
                                          Figura 3: Juízo Final- Michelangelo
                                         Fonte:http://casoseacasosdavida.blogspot.com/2009/07/michelangelo-1475-1564.html

            É importante ressaltar que a concepção de juízo final e de purgatório é vista de forma diferente pelas várias religiões. No entanto, aqui tratamos do cristianismo durante a Idade Média e no “Renascimento.”
            É perceptível a função da arte em cada período da historia da humanidade, influenciando toda relação, cultural, política, econômica e religiosa.
        


































5. Considerações finais

            Ao introduzirmos o panorama histórico e artístico acerca das representações  das imagens no cenário do Juízo Final medieval e renascentista, percebeu-se que houve uma divergência na forma de aparecimento das figuras e em torno do conceito. É entendível que houve aspecto da expressão da loucura de forma implícita, apenas como um resquício.
           Apesar destas diferentes concepções que envolvem o cenário idealístico e imagético acerca das imagens representadas no juízo Final da Idade Média e do Renascimento. As relações entre heresia e loucura, seria um possível aparecimento no âmbito do cenário do Juízo final, de maneira geral, é provável essa ligação.
            A imagem do homem irá se diferenciar nos dois períodos, conseqüentemente a maneira perceptiva sobre o conceito da loucura também será antagônica. Mas a relação de preconceito com os loucos acontecera em ambos.
            Essas imagens são carregadas de símbolos e signos, e houve uma intenção em cada proposta Quando se fala em signos, deve-se lembrar que toda imagem é carregada de signos, e para desvendá-la é  necessário a tentativa do que significa, saber o que significa é conhecer o signo, é desnudá-lo.
            A sociedade medieval se norteia pelo Teocentrismo e a renascentista na concepção do antropocentrismo. Toda via na historia da humanidade, a relação entre arte e sociedade se dará de maneiras diferentes, sendo relevante entender a função da arte em cada período  para melhor perceber  a vida.














6. Referências

ALBERTO, Rodrigo Moraes. A ira insana e loucura furiosa no ocidente medieval. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/9860/5714, acesso em 20.06.2010

A loucura na idade média. Disponível em: http://estevamhp.sites.uol.com.br/atua/WINDOWS/Desktop/teste/enfermagem/museu/im.htm, acesso em 22.06.2010

CARTARIN, Cristiano. Heresia ou loucura. Disponível em: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=759, acesso em 22.
06.2010.

CARBANEZI, Elton Roberto. A episteme ( des) silenciadora da loucura. Disponivel em: http://www.observatoriodeseguranca.org/files/monografia_pdf.pdf, acesso em 28.06.2010.

JANSON, H.W/  JANSON, Antony F. Iniciação à história da arte. São Paulo: Martins
Fontes, 1996.

JANSON, H. W. História da arte. Lisboa: Gulbenkian, 2005

SILVA, Patrícia Barbosa da. O (pré) conceito de idade média. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiag/conceito-idade-media.htm, acesso em: 25.06.2010.


























[3] Derivado da palavra grega háiresis - que significa escolha -, o conceito de heresia tomou uma conotação negativa com o advento do Cristianismo, passando a significar uma rejeição ao próprio ensino apostólico. Ou seja, sob a ótica cristã, mais do que uma opinião divergente, a heresia é algo que traz em seu bojo uma afronta direta à doutrina oficial da Igreja.

ARTE AFRICANA

A arte africana é um conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos povos da África ao longo da história.
A arte africana é um reflexo fiel das ricas histórias, mitos, crenças e filosofia dos habitantes deste enorme continente.
A riqueza desta arte tem fornecido matéria-prima e inspiração para vários movimentos artísticos contemporâneos da América e da Europa.
Artistas do século XX admiraram a importância da abstração e do naturalismo na arte africana.
A história da arte africana remonta o período pré-histórico.
Os povos africanos faziam seus objetos de arte utilizando diversos elementos da natureza. Faziam esculturas de  marfim, máscaras entalhadas em madeira e ornamentos em ouro e bronze.
Os temas retratados nas obras de arte remetem ao cotidiano, a religião e aos aspectos naturais da região. Desta forma, esculpiam e pintavam mitos, animais da floresta, cenas das tradições, personagens do cotidiano etc. 
Chegada ao Brasil 
     A arte africana chegou ao Brasil através dos escravos, que foram trazidos para cá pelos portugueses durante os períodos colonial e imperial.
   Em muitos casos, os elementos artísticos africanos fundiram-se com os indígenas e portugueses, para gerar novos componentes artísticos de uma magnífica arte afro-brasileira.