quinta-feira, 31 de outubro de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
A ARTE, O ARTISTA E A SOCIEDADE
A Arte, o Artista e a Sociedade
"Quando se fala de uma arte voltada para o povo, para a sua vida e as suas aspirações e da mensagem que o artista, com a sua obra, leva ao povo, não se pretende que, no domínio da arte e da criatividade artística, o povo seja apenas objecto e destinatário. O povo é também autor, é também criador de valor estético. A criação popular funde o talento individual com o talento colectivamente considerado." (p.111)
"A imaginação artística dos povos envolve gerações, num quase inimaginável longo processo criativo, que, mantendo vivas mesmo que não evidentes as origens, as enriquece e traduz com elementos e valores estéticos novos." (p.111)
"Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca."(p.201)
"(...)É bom que jamais percam a necessidade e o gosto de escrever, de pintar, de tocar um instrumento, de mesmo em silêncio, sem assim se chamarem, continuarem a ser artistas."(p.202)
Álvaro Cunhal
Editorial Caminho, Lisboa, 1996
Em 1996, Álvaro Cunhal publicou este ensaio sobre estética, onde apresenta ao longo de catorze capítulos as suas reflexões actuais neste domínio.
Todo o ensaio é ilustrado por reproduções de obras de arte, da pintura à escultura, da arquitectura à literatura e até à música, que o autor comenta, interpreta e utiliza como argumentos de defesa das teses que vai apresentando. Este recurso à imagem, além de tornar o livro esteticamente mais atraente, torna-o mais interessante e acessível, mesmo para os leigos na matéria.
A ideia fundamental, presente ao longo de todo o ensaio, é a de que à arte e à criatividade artística deve ser dada liberdade total e absoluta, o que o leva, inclusivamente, a criticar as políticas culturais dos países comunistas, quando estas restringiam essa liberdade.
O ensaio começa com o conceito de belo, fundamento de toda a arte. Segundo o autor este conceito não se pode fechar em qualquer tipo de definição, seja ela filosófica, científica ou outra. O belo é algo de universal, mas também de contingente, está nas coisas, mas está essencialmente no homem e no juízo (estético) que este faz das coisas.
Álvaro Cunhal considera que "é nos valores que se complementam da forma e do conteúdo que na obra de arte, o belo se revela e se comunica e que o valor estético se afirma" (Álvaro Cunhal, 1996)
A questão da forma e do conteúdo é central nas reflexões propostas neste ensaio.
Outra das ideias centrais deste ensaio é a de que o artista não pode escapar à influência da sociedade. "A influência e os reflexos da vida social na criação artística podem ou não depender da vontade do artista. Em qualquer caso são uma realidade objectiva."
O ensaio termina com um apelo, "um apelo à arte que intervém na vida social (...) um apelo à liberdade, à imaginação, à fantasia, à descoberta e ao sonho." (Álvaro Cunhal, 1996)
"Constitui um direito à liberdade que um artista concentre exclusivamente o seu talento e a sua criatividade na busca de novos valores formais: o da cor, do volume, da musicalidade, da linguagem. Essa atitude tem conduzido a enriquecimentos e descobertas dando vida à obra por virtude dos novos valores formais conseguidos. Constitui também um direito à liberdade que um artista parta à descoberta de novos valores formais (da cor, do volume, da musicalidade, da linguagem) com o propósito de os tornar adequados e capazes de levar à sociedade, ao ser humano em geral, uma mensagem de alegria ou tristeza, de solidariedade ou de protesto, de sofrimento ou de revolta, em qualquer caso, como é de desejar de optimismo e de confiança no ser humano e no seu futuro."(pp.20-21) |
"A imaginação artística dos povos envolve gerações, num quase inimaginável longo processo criativo, que, mantendo vivas mesmo que não evidentes as origens, as enriquece e traduz com elementos e valores estéticos novos." (p.111)
"Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca."(p.201)
"(...)É bom que jamais percam a necessidade e o gosto de escrever, de pintar, de tocar um instrumento, de mesmo em silêncio, sem assim se chamarem, continuarem a ser artistas."(p.202)
Álvaro Cunhal
Editorial Caminho, Lisboa, 1996
Em 1996, Álvaro Cunhal publicou este ensaio sobre estética, onde apresenta ao longo de catorze capítulos as suas reflexões actuais neste domínio.
Todo o ensaio é ilustrado por reproduções de obras de arte, da pintura à escultura, da arquitectura à literatura e até à música, que o autor comenta, interpreta e utiliza como argumentos de defesa das teses que vai apresentando. Este recurso à imagem, além de tornar o livro esteticamente mais atraente, torna-o mais interessante e acessível, mesmo para os leigos na matéria.
A ideia fundamental, presente ao longo de todo o ensaio, é a de que à arte e à criatividade artística deve ser dada liberdade total e absoluta, o que o leva, inclusivamente, a criticar as políticas culturais dos países comunistas, quando estas restringiam essa liberdade.
O ensaio começa com o conceito de belo, fundamento de toda a arte. Segundo o autor este conceito não se pode fechar em qualquer tipo de definição, seja ela filosófica, científica ou outra. O belo é algo de universal, mas também de contingente, está nas coisas, mas está essencialmente no homem e no juízo (estético) que este faz das coisas.
Álvaro Cunhal considera que "é nos valores que se complementam da forma e do conteúdo que na obra de arte, o belo se revela e se comunica e que o valor estético se afirma" (Álvaro Cunhal, 1996)
A questão da forma e do conteúdo é central nas reflexões propostas neste ensaio.
Se, por um lado, o autor crítica o formalismo e não resiste a fazer uma apologia da arte de intervenção, por outro, em nome da liberdade de criação artística, considera legítima a escolha de uma arte subjectivista e formal, reconhecendo o grande valor estético de algumas obras de arte oriundas desta corrente. O que Álvaro Cunhal não admite é a dogmatização e intolerância no campo da estética, que tem sido a palavra de ordem daqueles que defendem a arte pura, ou seja, o formalismo. Isto é, segundo o autor, um factor de esgotamento e empobrecimento do valor estético. Álvaro Cunhal reconhece a forma como uma componente fundamental do valor estético, mas existindo uma mensagem positiva, de intervenção, a levar à sociedade, a arte, o valor estético e mesmo a forma ganham em força, diversidade e renovação. |
O ensaio termina com um apelo, "um apelo à arte que intervém na vida social (...) um apelo à liberdade, à imaginação, à fantasia, à descoberta e ao sonho." (Álvaro Cunhal, 1996)
[ CITI ]
Arte e sociedade
Arte e Sociedade
António Pinto Ribeiro ontem no Ípsilon dedica um artigo a dizer o óbvio: que um artista não é necessariamente contestatário ou de esquerda. Isso é só e evidentemente um preconceito: como ele próprio inventaria, há artistas de todas as sensibilidades que fazem arte de intervenção, que não a fazem mas intervêm politicamente enquanto cidadãos, que são conservadores, de direita, etc.
É útil sublinhar isto, porque o preconceito existe; mas não chega fazê-lo. Se há esta variedade toda e se a sociedade a suporta é em grande medida porque tem os seus usos, nomeadamente monumentalizar diferentes interesses, ideologias ou identidades, representando-as dentro do discurso público.
Naturalmente, mesmo esta ideia do papel da arte na sociedade é apenas uma entre muitas. Poderia contrapôr-se-lhe a ideia que a arte só se representa a si mesma (que é autónoma). Mas esta discussão não é particularmente interessante porque é parcial. Qualquer artista (ou comissário ou crítico), (acredite ou não na autonomia da arte), se produz em público, se o seu trabalho é conhecido, mesmo que por uma minoria, inscreve-se em estruturas institucionais (escolas, museus, galerias, mas também estilos e modelos de remuneração). E é isso que, dentro de um discurso de esquerda, importa perceber. Não se trata de discutir facturas, estruturas hierárquicas e financiamentos esquecendo a experiência estética, mas de perceber que a experiência estética não só é gerada por este contexto institucional como ajuda a criá-lo e a legitimá-lo.
Dentro da arte e da cultura são perfeitamente visíveis os mesmos movimentos de precarização do trabalho, de celebração da desigualdade e de privatização que ocorrem na sociedade geral. Só isso chegaria para demonstrar que não há – nem pode haver – autonomia. Quando muito tem-se uma cultura a tentar distanciar-se de modos de ligação à sociedade que já não interessam tanto, que se desactualizaram.
Interessa perceber esses mecanismos que ligam a arte à sociedade. Por aqui, importaria perceber porque é o nosso discurso crítico é tão compartimentado, separando sistematicamente o discurso sobre objectos e eventos (recensões), do discurso sobre o artista (entrevistas), do discurso de comentário político e institucional (as crónicas) visíveis no próprio Ipsilon. Esta compartimentação não resulta da autonomia a priori destas categorias entre si, mas antes a enuncia e legítima no momento em que é feita.
A ARTE E SUA INFLUÊNCIA NA SOCIEDADE E NA CULTURA
por: Colunista Portal - Educação
Contudo, a arte está ligada aos fatores históricos e sociais
Pela arte, pensamentos tomam forma e ideais de culturas e etnias têm a oportunidade de serem apreciados pela sociedade no seu todo. Assim, o conceito de arte está ligado à história do homem e do mundo, porém não está preso necessariamente a determinado contexto, é essencialmente mutável.
Para exemplificar, voltemos algumas décadas no tempo e analisemos como a arte era entendida antigamente. Como será que nossos bisavôs definiriam a arte?
Possivelmente, na época, fosse difícil pensar em uma arte digital, ou no desenvolvimento de uma ciberarte (manipulação das novas tecnologias e mídias atuais para a construção de objetos artísticos), mas hoje esse fator é determinante para compreendermos a arte num sentido mais amplo e completo.
Tudo passa pelas tecnologias e a humanidade está marcada pelos desafios políticos, econômicos e sociais decorrentes de uma nova configuração da realidade, em que campos da atividade humana, estão utilizando intensamente as redes de comunicação e a informação computadorizada (SANTOS, 2006).
O conceito de obra de arte é uma construção social, não pode ser um trabalho isolado. A arte possibilita um diálogo com quem a observa, cria situações que podem se tornar desafiantes para o apreciador e, algumas vezes, os materiais utilizados na própria composição propõem uma reflexão sobre o significado da arte.
Um novo tipo de sociedade condiciona um novo tipo de arte. Porque a função da arte varia de acordo com as exigências colocadas pela nova sociedade; porque uma nova sociedade é governada por um novo esquema de condições econômicas; e porque mudanças na organização social e, portanto, mudanças nas necessidades objetivas dessa sociedade, resultam em uma função diferente de arte (KOELLREUTTER, 1997).
Contudo, a arte está ligada aos fatores históricos e sociais, mas dialoga ativamente com nossa sociedade, criando os estilos de época, e acompanhando a evolução do homem e da tecnologia.
Para exemplificar, voltemos algumas décadas no tempo e analisemos como a arte era entendida antigamente. Como será que nossos bisavôs definiriam a arte?
Possivelmente, na época, fosse difícil pensar em uma arte digital, ou no desenvolvimento de uma ciberarte (manipulação das novas tecnologias e mídias atuais para a construção de objetos artísticos), mas hoje esse fator é determinante para compreendermos a arte num sentido mais amplo e completo.
Tudo passa pelas tecnologias e a humanidade está marcada pelos desafios políticos, econômicos e sociais decorrentes de uma nova configuração da realidade, em que campos da atividade humana, estão utilizando intensamente as redes de comunicação e a informação computadorizada (SANTOS, 2006).
O conceito de obra de arte é uma construção social, não pode ser um trabalho isolado. A arte possibilita um diálogo com quem a observa, cria situações que podem se tornar desafiantes para o apreciador e, algumas vezes, os materiais utilizados na própria composição propõem uma reflexão sobre o significado da arte.
Um novo tipo de sociedade condiciona um novo tipo de arte. Porque a função da arte varia de acordo com as exigências colocadas pela nova sociedade; porque uma nova sociedade é governada por um novo esquema de condições econômicas; e porque mudanças na organização social e, portanto, mudanças nas necessidades objetivas dessa sociedade, resultam em uma função diferente de arte (KOELLREUTTER, 1997).
Contudo, a arte está ligada aos fatores históricos e sociais, mas dialoga ativamente com nossa sociedade, criando os estilos de época, e acompanhando a evolução do homem e da tecnologia.
Fonte:http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/10635/a-arte-e-sua-influencia-na-sociedade-e-na-cultura
A CRIATIVIDADE
A criatividade é considerada uma capacidade humana de grande valor universal, tudo indica que nesta competência reside a memória "RAM" biológica para o impulso da evolução humana. A memória RAM segundo Cury,(2009) é o fenómeno dos registos da memória. O que melhor descreve a criatividade é o que Sanchez (2003) referiu em seus apontamentos a criatividade é uma sublime dimensão da condição humana. É entretanto na capacidade criativa, que existe a chave da capacidade de evolução da humanidade. O mérito da expressão criativa é fruto da "complexidade" ou seja é fruto do contexto social no seu desenvolvimento natural e humano. É muito interessante contemplar os efeitos provenientes deste constructo a considerar a capacidade de um indivíduo criativo construir e reconstruir, transformando a nossa realidade. É consensual e gratificante, perceber que todos temos a capacidade criativa, deve é ser melhor desenvolvida.
Há quem defenda que a criatividade produz-se por meio da interacção entre os pensamentos de uma pessoa e um contexto sócio-cultural, há casos que pode exteriorizar-se naturalmente da própria personalidade humana, por se tratar de uma função da mente humana, por vezes também precisa ser activada por meio dos estímulos externos e internos. A criatividade representa-se de múltiplas maneiras. Segundo Gardner (1999) cada indivíduo, também apresenta o seu perfil criativo distinto, daí a dificuldade de definição do termo. O ano 1950 foi um marco histórico na reabertura do estudo da criatividade, até o exato momento não há um conceito único que a descreva, ou seja, não há uma definição exclusiva para o termo criatividade, porém fundamentais estudiosos contribuem para este conceito numa versão diferenciada que a justifica, vão denominando esta temática na sua "complexidade" como um termo multidimensional, seguem comunicando os seus resultados, ora como novas invenções, como a capacidade de análise e síntese, ora como um produto novo, ou como a resolução de problemas, ora como uma ideia nova, ou de uma teoria, enfim os componentes criativos se apresentam de formas sempre variadas e em multiplicidade. Dinamicamente a variedade ou a "complexidade" condiciona o indivíduo a ver o diferente, dai um passo para criar a originalidade. O fenómeno criatividade se manifesta em todos os setores da vida seja social, político, estético, científico, é por isto que todas as ciências apresentam uma versão diferenciada no seu conceito, condizentes com as suas próprias ideologias, agregando lhe a utilidade e individualidade de cada,(Jácome, 2011).
[[Ficheiro:Exemplo.jpg
- "o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma" (Suchman, 1981)
- "criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo" (Stein, 1974)
- "criatividade representa a emergência de algo único e original" (Anderson, 1965)
- "criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados" (Torrance, 1965)
- "um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística"(Amabile, 1983)
Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a habilidade criativa das pessoas esteja de certa forma ligadas a seus talentos.
O PROCESSO CRIATIVO EM ARTES
O que é processo de criação em arte?
O processo de criação do artista é a parte mais valiosa da obra. Lógico que o produto final é importante, mas é durante o inicio e o término da obra que estão suas inquietações, erros e acertos, dúvidas e certezas, vontade de mudar tudo e o mais importante os seus questionamentos.
Todo artista se pergunta no seu processo de criação, ou pelo menos deveria se perguntar: O eu quero dizer com essa obra?
A obra final de um artista não é o ápice de sua criação, mas descobrir já durante o processo que impactos irão causar no seu público.
O artista vive a obra somente enquanto ela esta sendo produzida, pois quando é finalizada quem passa a vivencia-la é o fruidor, o contemplador de sua obra.
Os processos de criação na atualidade estão sendo cada vez mais valorizados, pois é o instante do autor com sua obra. A construção da obra é um lugar que tem vários caminhos e isso é prazeroso tanto para quem faz como para quem vê.
Mas no campo de investigação dos processos de criação, existem muitos equívocos. Primeiro, o processo de criação é antes de tudo, busca por um produto final que ainda não se sabe claramente o que é, mas que se tem uma noção de onde se quer chegar. Segundo, mostra de processos não são explicativos do que é processo. Terceiro não se deve ignorar o público assistindo. Os processos criativos são fragmentos que gosto ou mostrar onde “até aqui cheguei, mas ainda não é isso que quero” .
Talvez a palavra mais próxima que defina o que vem a ser processo criativo é possibilidades.
sábado, 3 de agosto de 2013
O adjetivo naïf é o mais empregado para o gênero de pintura chamado também de ingênuo e às vezes primitiva (no Brasil). Na época em que foi lançado, o termo naïf era um apelido, como em outras épocas, os pintores foram chamados de impressionistas, cubistas, futuristas, etc...
Os naïfs, em geral, são autodidatas e sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência. Essa é a força desses artistas que podem pintar sem regras, nem constrangimentos. Podem ousar tudo. São os "poetas anarquistas do pincel".
A pintura naïf brasileira é muito rica e cheia de imprevistos. Devido à diversidade de temas relativos à fauna, à flora, ao sincretismo religioso e às suas várias etnias, o Brasil ocupa lugar de destaque no contexto mundial de arte naïf.
Os quadros de naïfs brasileiros são reproduzidos nos mais importantes livros estrangeiros sobre arte naïf. Não há uma exposição naïf internacional importante sem que os artistas naïfs brasileiros sejam convidados a participar.
Em toda a história da pintura brasileira, nunca tantos artistas tiveram suas obras expostas, publicadas, comentadas e citadas como são as dos pintores naïfs. O único pintor brasileiro (entre todas as tendências) a ser premiado numa Bienal de Veneza foi um naïf, Chico da Silva, em 1966, na 33ª Bienal. Ganhou menção honrosa com a sua pintura.
Fonte: www.artenaif.hpg.ig.com.br
Os naïfs, em geral, são autodidatas e sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência. Essa é a força desses artistas que podem pintar sem regras, nem constrangimentos. Podem ousar tudo. São os "poetas anarquistas do pincel".
Quem são os pintores naïfs?
Ser naïf é um estado de espírito que leva a uma maneira toda pessoal de pintar. Podemos encontrar pintores naïfs entre sapateiros, carteiros, donas de casa, médicos, jornalistas e diplomatas.A arte naïf transcende o que se convencionou chamar de arte popular.A Pintura Naïf no Brasil
O Brasil junto com a França, a ex-Iugoslávia, o Haiti e a Itália, é um dos "cinco grandes " da arte naïf no mundo. Um grande número de obras de pintores naïfs brasileiros faz parte do acervo dos principais museus de arte naïf existentes no mundo.A pintura naïf brasileira é muito rica e cheia de imprevistos. Devido à diversidade de temas relativos à fauna, à flora, ao sincretismo religioso e às suas várias etnias, o Brasil ocupa lugar de destaque no contexto mundial de arte naïf.
Os quadros de naïfs brasileiros são reproduzidos nos mais importantes livros estrangeiros sobre arte naïf. Não há uma exposição naïf internacional importante sem que os artistas naïfs brasileiros sejam convidados a participar.
Em toda a história da pintura brasileira, nunca tantos artistas tiveram suas obras expostas, publicadas, comentadas e citadas como são as dos pintores naïfs. O único pintor brasileiro (entre todas as tendências) a ser premiado numa Bienal de Veneza foi um naïf, Chico da Silva, em 1966, na 33ª Bienal. Ganhou menção honrosa com a sua pintura.
Fonte: www.artenaif.hpg.ig.com.br
Arte Naif
A arte naif é uma criação artística instintiva e espontânea realizada por pintores autodidatas que sentem uma impulsão vital de contar suas experiências de vida.
Podemos dizer que desde o início dos tempos, quando o homem sentiu a necessidade de criar algo com o único intuito de se deleitar, surgiu a arte naif; assim sendo, ela encontra-se presente ao longo da história da humanidade, pelas mãos de indivíduos que, alheios aos movimentos artísticos, sociais e culturais de sua época, criam unicamente movidos por suas emoções.
Podemos dizer que desde o início dos tempos, quando o homem sentiu a necessidade de criar algo com o único intuito de se deleitar, surgiu a arte naif; assim sendo, ela encontra-se presente ao longo da história da humanidade, pelas mãos de indivíduos que, alheios aos movimentos artísticos, sociais e culturais de sua época, criam unicamente movidos por suas emoções.
A denominação “Arte naif” (aplicada para designar um certo grupo de pintores) como utilizamos atualmente, surgiu no fim do século XIX, com a aparição do pintor francês Henri Rousseau no “Salão dos Independentes”, em Paris.
Atualmente podemos dizer que o Brasil é um dos grandes representantes da arte naif mundial.
Atualmente podemos dizer que o Brasil é um dos grandes representantes da arte naif mundial.
Apesar desse imenso potencial, somente na década de 50, o Brasil começou a dar atenção a esse grupo de artistas, com as primeiras exposições de Heitor dos Prazeres, Cardosinho, Silvia de Leon Chalreo e José Antonio da Silva.
Depois desse início, as décadas de 60 e 70, vão conhecer uma verdadeira explosão de pintores naifs brasileiros, tais como: Ivonaldo, Isabel de Jesus, Gerson Alves de Souza, Elza O .S., Crisaldo de Moraes, José Sabóia e muitos outros que juntamente com seus predecessores, estão presentes em nosso acervo.
ARTE NAIF
Arte Naïf
Outros Nomes
Arte ingênua
Definição
O termo arte naïf aparece no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva, produzida por autodidatas que não têm formação culta no campo das artes. Nesse sentido, a expressão se confunde freqüentemente com arte popular, arte primitiva e art brüt, por tentar descrever modos expressivos autênticos, originários da subjetividade e da imaginação criadora de pessoas estranhas à tradição e ao sistema artístico. A pintura naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação (uso científico da perspectiva, formas convencionais de composição e de utilização das cores) e pela visão ingênua do mundo. As cores brilhantes e alegres - fora dos padrões usuais -, a simplificação dos elementos decorativos, o gosto pela descrição minuciosa, a visão idealizada da natureza e a presença de elementos do universo onírico são alguns dos traços considerados típicos dessa modalidade artística.
A história da pintura naïf liga-se ao Salon des Independents [Salão dos Independentes], de 1886, em Paris, com exibição de trabalhos de Henri Rousseau (1844 - 1910), conhecido como "Le Douanier", que se torna o mais célebre dos pintores naïfs. Com trajetória que passa por um período no Exército e um posto na Alfândega de Paris (1871-1893), de onde vem o apelido "Le Douanier" (funcionário da alfândega), Rousseau dedica-se à pintura como hobby. Pintor, à primeira vista, "ingênuo" e "inculto", pela falta de formação especializada, dos temas pueris e inocentes, é responsável por obras que mostram minuciosamente, de modo inédito, uma realidade ao mesmo tempo natural e fantasiosa, como em A Encantadora de Serpentes, 1907. Seu trabalho obtém reconhecimento imediato dos artistas de vanguarda do período - como Odilon Redon (1840 - 1916), Paul Gauguin (1848 - 1903), Robert Delaunay (1885 - 1941), Guillaume Apollinaire (1880 - 1918), Pablo Picasso (1881 - 1973), entre outros -, que vêem nele a expressão de um mundo exótico, símbolo do retorno às origens e das manifestações da vida psíquica livre e pura. Em 1928, o colecionador e teórico alemão Wilhelm Uhde (1874 - 1947) - um dos descobridores do artista - organiza a primeira exposição de arte naïf em Paris, reunindo obras de Rousseau, Luis Vivin (1861 - 1936), Séraphine de Senlis (1864 - 1942), André Bauchant (1837 - 1938) e Camille Bombois (1883 - 1910). Mais tarde, o Museu de Arte Moderna de Paris dedica uma de suas salas exclusivamente à produção naïf.
No século XX, a arte naïf é reconhecida como uma modalidade artística específica e se desenvolve no mundo todo, sobretudo nos Estados Unidos, na ex-Iugoslávia e no Haiti. Em solo norte-americano, as inúmeras cenas da vida rural pintadas por Anna Mary Robertson (1860 - 1961) - conhecida como Vovó Moses - adquirem notoriedade quando a artista, autodidata, descoberta por um colecionador, completa 80 anos. Oriunda da tradição de retratistas amadores, a arte naïf norte-americana encontra expressão nas obras de J. Frost (1852 - 1929), H. Poppin (1888 - 1947) e J. Kane (1860 - 1934). Na Inglaterra, o nome de Alfred Wallis (1855 - 1942) associa-se a navios à vela e paisagens. Descoberto em 1928 pelos artistas ingleses Ben Nicholson (1894 - 1982) e Christopher Wood (1901 - 1930), Wallis pinta com base na memória e na imaginação, em geral com tinta de navio sobre pedaços irregulares de papelão e madeira. Na ex-Iugoslávia, a arte naïf faz escola, na qual se destaca, por exemplo, Ivan Generalic (1914 - 1992).
Soluções da arte naïf são incorporadas a diversas tendências da arte moderna, seja pelosimbolismo (em busca da essência mística das cores), seja pelo pós-impressionismo de Paul Gauguin, que vai para o Taiti em 1891, e faz pesquisas em direção à cultura plástica das chamadas sociedades primitivas, o que se revela no uso de cores vibrantes e na simplificação do desenho como em Ta Ma Tete - Mulheres Taitianas Sentadas num Banco, 1892, e Te Tamari no Atua - Natividade, 1896. Os trabalhos realizados sob a égide do Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul) - grupo do qual participam August Macke (1887 - 1914) e Paul Klee (1879 - 1940) - e a obra de Wassili Kandinsky (1866 - 1944), em defesa da orientação espiritual da arte, também se beneficiam de sugestões da arte naïf.
Se em sua origem essa modalidade é definida como aquela realizada por amadores ou autodidatas, o processo de reconhecimento e legitimação obtidos nos circuitos artísticos leva a que muitos pintores, com formação erudita, façam uso de procedimentos caros aos naïfs. Além disso, a arte naïf desenha um circuito próprio e conta com museus e galerias especializados em todo o mundo. No Brasil, especificamente, uma série de artistas aparece diretamente ligada à pintura naïf, como Cardosinho (1861 - 1947), Luís Soares (1875 - 1948), Heitor dos Prazeres (1898 - 1966), José Antônio da Silva (1909 - 1996) e muitos outros. Entre eles, ganham maior notoriedade: Chico da Silva (1910 - 1985) - menção honrosa na 33ª Bienal de Veneza - e Djanira (1914 - 1979). Aluna do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, Djanira completa sua formação com aulas de Emeric Marcier (1916 - 1990) e Milton Dacosta (1915 - 1988), seus hóspedes na Pensão Mauá, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Nos anos 1950, ela é artista consagrada e uma das lideranças do Salão Preto e Branco. A arte popular do Nordeste brasileiro - as xilogravuras que acompanham a literatura de cordel e as esculturas de Mestre Vitalino (1909 - 1963) - figura em algumas fontes como exemplos da arte naïf nacional.
Atualizado em 12/09/2011 http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=5357 |
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Michelangelo Buonarroti
Biografia de Michelangelo, grande representante das artes plásticas do Renascimento Italiano, obras de Michelangelo, Renascimento Cultural , afrescos da Capela Sistina, Davi, Pietá, mecenas e mecenato, esculturas, afrescos, pinturas e quadros.
Biografia de Michelangelo, grande representante das artes plásticas do Renascimento Italiano, obras de Michelangelo, Renascimento Cultural , afrescos da Capela Sistina, Davi, Pietá, mecenas e mecenato, esculturas, afrescos, pinturas e quadros.
Introdução
Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu na cidade de Capresse, Itália, no dia 6 de março de 1475. Porém, o artista passou parte de sua infância e adolescência na cidade de Florença.
Biografia e obras
Como grande parte dos pintores e escultores da época, Michelangelo começou a carreira artística sendo aprendiz de um grande mestre das artes. Seu mestre, que lhe ensinou as técnicas artísticas, foi Domenico Girlandaio. Após observar o talento do jovem aprendiz, Girlandaio encaminhou-o para a cidade de Florença, para aprender com Lorenzo de Médici. Na Escola de Lorenzo de Medici, Michelangelo permaneceu por 2 anos (1490 a 1492). Em Florença, recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores e intelectuais da época, já que a cidade era um grande centro de produção cultural.
Foi morar em 1492 na cidade italiana de Bolonha, logo após a morte de Lorenzo. Ficou nesta cidade por 4 anos, já que em 1496 recebeu um convite do cardeal San Giorgio para morar em Roma. San Giorgio tinha ficado admirado com a escultura em mármore Cupido, que havia comprado do artista. Nesta época, criou duas importantes obras, com grande influência da cultura greco-romana: Pietá e Baco. Ao retornar para a cidade de Florença, em 1501, cria duas outras obras importantes: Davi (veja imagem acima) e a pintura a Sagrada Família.
No ano de 1503, o artista recebeu um novo convite vindo de Roma, de Júlio II. Foi convocado para fazer o túmulo papal, obra que nunca terminou, pois constantemente era interrompido por outros chamados e tarefas. Entre os anos de 1508 e 1512 pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano, sendo por isso comissionado por Leão X (veja abaixo a definição de mecenas). Neste período também trabalhou na reconstrução do interior da Igreja de São Lourenço em Florença.
Entre os anos de 1534 e 1541, trabalhou na pintura O Último Julgamento, na janela do altar da capela Sistina. Em 1547 foi indicado como o arquiteto oficial da Basílica de São Pedro no Vaticano.
Morreu em 18 de fevereiro de 1564, aos 89 anos de idade na cidade de Roma. Até os dias de hoje é considerados um dos mais talentosos artistas plásticos de todos os tempos, junto com outros de sua época como, por exemplo, Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Donatello e Giotto di Bondone.
* Mecenas = pessoas ricas e poderosas da época que investiam nas artes como forma de conseguir reconhecimento e status perante a sociedade. Geralmente eram príncipes, burgueses, bispos, condes e duques. Foram importantes para o desenvolvimento das artes plásticas e da literatura na época do Renascimento Cultural, pois injetaram capital nesta área. A burguesia, classe social em ascensão e que lucrava muito com seu trabalho voltado para o comércio, viu no mecenato uma forma de alcançar o status da nobreza.
Relação das principais obras de Michelangelo:
- Afrescos do teto da Capela Sistina
- A criação de Adão
- Julgamento Final
- Martírio de São Pedro
- Conversão de São Paulo
- Cúpula da Basílica de São Pedro
- Esculturas: Davi, Leda, Moisés e Pietá
- Retratos da família Médici
- Livro de poesias: Coletânea de Rimas
- A Madona dos degraus (relevo)
Frases de Michelangelo:
- "O amor é a asa rápida que Deus deu à nossa alma para que ela voe até o céu."
- "Bem vindo é o sono, mais bem vindo o sono de pedra
Enquanto crime e vergonha continuam na Terra; Minha sorte feliz, não ouvir ou ver; Não me acordem - por piedade, sussurem baixo."
Enquanto crime e vergonha continuam na Terra; Minha sorte feliz, não ouvir ou ver; Não me acordem - por piedade, sussurem baixo."
Camille Claudel
“Pior ainda foi sua inércia com o destino da irmã do poeta Paul
Claudel, Camille, que foi sua assistente e amante. Ele tinha 43 anos, ela 19. Enquanto
Rodin se cobria dos louros, Camille foi internada no hospício do Mondevergues,
de onde só saiu para a cova, 30 anos depois. Hoje seu valor é reconhecido, seja
através de exposições ou do filme Camille Claudel, estrelado por Isabelle
Adjani”.
(Mauro Trindade)
Paris, século XIX.
Uma mulher decide quebrar os laços com sua classe social, com a moral vigente e com as normas de conduta bem aceitas em sua época. Foi considerada louca, internada por 30 anos num hospital psiquiátrico – até sua morte – depois de entregar-se furiosamente a sua arte e a um mau amante, escultor abastado e famoso. Ele, o imperecível Auguste Rodin. Ela, a intuitiva e talentosa escultora Camille Claudel, personagem de filmes, razão de poemas, mulher arrasada, infeliz e mal compreendida. Ingredientes que tornam a sua biografia fascinante aos olhares curiosos. Tudo o que se acrescente como condimento de frescas novidades sobre esta escultora – vitimada mais pela sociedade que pela loucura – exerce, talvez por isso, um encanto hipnótico e avassalador.
Não se sabe porque cargas d’água uma certa “intelectualidade” sente prazer irresistível pela tragédia moral e exalta como ponto de virtude o sofrimento do artista. Ao que parece, quanto mais estilhaçados melhor; quanto mais dolorido, mais doce (veja-se o caso da pintora mexicana Frida Kallo, que atualmente tem suas obras em altíssimas cotações no mercado de arte). O que importa em Claudel; aliás, o que deveria importar num momento em que se faz a revisão de sua obra, seria destacar o seu alto valor estético, sua ruptura com uma manifestação escultural adormecida e que era já, depois de um certo tempo, construcção oficial das formasem Rodin.
Deveriam ser exaltadas estas coisas, não sua desgraça.
Não se pode negar o gênio a Rodin, mas deve-se questionar o quanto de preconceito e de sua postura como inverso de mestre prejudicaram um talento manifesto. Que não era mais florescente apenas, mas que exigia ar e aparecimento: ela, Camille. Ela, que num sopro poderia ser, sim, mais do que ele. E isso lhe era insuportável.
Camille era pouco conhecida do público. O reconhecimento de seu talento ficava restrito a artistas e intelectuais, mas mesmo entre eles o seu comportamento incomum assumia feições de desvario. Sua família era rica, mas a adolescente apaixonada pela escultura não se deixava ficar entre rapapés, na condição de mulher passiva e obediente, à espera de um marido bem aquinhoado e cordato, largada das coisas impuras da arte. Muito pelo contrário. Desde menina fugia de casa para extrair barro para suas esculturas. A mãe, no entanto, se opunha à ambição de ser artista da pequena Camille. A sociedade francesa, preconceituosa e machista, também colocava muros à sua frente. Ela tentou passar por todos eles. Era mulher, e a escalada se tornava ainda mais difícil. O lance crucial de sua vida ocorreu quando decidiu empregar-se no estúdio do escultor Rodin, com quem pouco tempo depois passa a conviver na condição de amante.
A união marginal atiçava os comentários. Uma jovem impetuosa e um homem rico, famoso e mais velho, convivendo sem casar oficialmente... Mas o fator determinante para os transtornos que se seguiriam a essa união não partiram exatamente daí. Tratava-se, no fundo, de um embate de natureza artística entre a intuição criativa de Camille e o apuro conquistado em anos de estudo pelo escultor oficial do governo francês, Auguste Rodin .
O rompimento entre os dois era a única saída para a sobrevivência criativa da jovem aluna que abalara de forma tão radical o universo artístico de seu mestre. Rodin não admitia as diferenças de potencial criativo entre ele e Camille. Quando a artista percebeu estar sendo usada por Rodin, veio o rompimento.
Camille ficou só. O irmão Paul Claudel, poeta, viajara para os Estados Unidos e lhe faltava mais esse amparo. Passou a criar obsessivamente; percebia-se, contudo, que perdia a sanidade. O golpe final veio quando, durante uma exposição, não conseguiu vender nenhuma escultura. O fracasso, o álcool, e agora o descrédito, somados às suas muitas decepções, fizeram-na indignar-se a tal ponto que, em dado momento, destrói as peças que havia criado.
Acaba interna como louca.
CAMILLE
Ave para recolher os dons de Fênix, estrela que encontrou de vez na sombra e no oceano – e que esteve entre o sol e a poeira, na maciez do barro enfim ressuscitado.
Ela esteve no mar, depois na praia descoberta, e no final do túnel, vão da escada, amor-derrota bem próximo à janela.
Seu corpo exaltava exílio e ostras, o coração pulsava como um incêndio, as mãos tocando chama e desespero com inigualável horror.
O corpo tombava como o touro tomba na arena só, prostrado.
A voz – a mesma que calou ao pronunciar Rodin – jamais conteve o astro.
(Mauro Trindade)
Paris, século XIX.
Uma mulher decide quebrar os laços com sua classe social, com a moral vigente e com as normas de conduta bem aceitas em sua época. Foi considerada louca, internada por 30 anos num hospital psiquiátrico – até sua morte – depois de entregar-se furiosamente a sua arte e a um mau amante, escultor abastado e famoso. Ele, o imperecível Auguste Rodin. Ela, a intuitiva e talentosa escultora Camille Claudel, personagem de filmes, razão de poemas, mulher arrasada, infeliz e mal compreendida. Ingredientes que tornam a sua biografia fascinante aos olhares curiosos. Tudo o que se acrescente como condimento de frescas novidades sobre esta escultora – vitimada mais pela sociedade que pela loucura – exerce, talvez por isso, um encanto hipnótico e avassalador.
Não se sabe porque cargas d’água uma certa “intelectualidade” sente prazer irresistível pela tragédia moral e exalta como ponto de virtude o sofrimento do artista. Ao que parece, quanto mais estilhaçados melhor; quanto mais dolorido, mais doce (veja-se o caso da pintora mexicana Frida Kallo, que atualmente tem suas obras em altíssimas cotações no mercado de arte). O que importa em Claudel; aliás, o que deveria importar num momento em que se faz a revisão de sua obra, seria destacar o seu alto valor estético, sua ruptura com uma manifestação escultural adormecida e que era já, depois de um certo tempo, construcção oficial das formas
Não se pode negar o gênio a Rodin, mas deve-se questionar o quanto de preconceito e de sua postura como inverso de mestre prejudicaram um talento manifesto. Que não era mais florescente apenas, mas que exigia ar e aparecimento: ela, Camille. Ela, que num sopro poderia ser, sim, mais do que ele. E isso lhe era insuportável.
Camille era pouco conhecida do público. O reconhecimento de seu talento ficava restrito a artistas e intelectuais, mas mesmo entre eles o seu comportamento incomum assumia feições de desvario. Sua família era rica, mas a adolescente apaixonada pela escultura não se deixava ficar entre rapapés, na condição de mulher passiva e obediente, à espera de um marido bem aquinhoado e cordato, largada das coisas impuras da arte. Muito pelo contrário. Desde menina fugia de casa para extrair barro para suas esculturas. A mãe, no entanto, se opunha à ambição de ser artista da pequena Camille. A sociedade francesa, preconceituosa e machista, também colocava muros à sua frente. Ela tentou passar por todos eles. Era mulher, e a escalada se tornava ainda mais difícil. O lance crucial de sua vida ocorreu quando decidiu empregar-se no estúdio do escultor Rodin, com quem pouco tempo depois passa a conviver na condição de amante.
A união marginal atiçava os comentários. Uma jovem impetuosa e um homem rico, famoso e mais velho, convivendo sem casar oficialmente... Mas o fator determinante para os transtornos que se seguiriam a essa união não partiram exatamente daí. Tratava-se, no fundo, de um embate de natureza artística entre a intuição criativa de Camille e o apuro conquistado em anos de estudo pelo escultor oficial do governo francês, Auguste Rodin .
O rompimento entre os dois era a única saída para a sobrevivência criativa da jovem aluna que abalara de forma tão radical o universo artístico de seu mestre. Rodin não admitia as diferenças de potencial criativo entre ele e Camille. Quando a artista percebeu estar sendo usada por Rodin, veio o rompimento.
Camille ficou só. O irmão Paul Claudel, poeta, viajara para os Estados Unidos e lhe faltava mais esse amparo. Passou a criar obsessivamente; percebia-se, contudo, que perdia a sanidade. O golpe final veio quando, durante uma exposição, não conseguiu vender nenhuma escultura. O fracasso, o álcool, e agora o descrédito, somados às suas muitas decepções, fizeram-na indignar-se a tal ponto que, em dado momento, destrói as peças que havia criado.
Acaba interna como louca.
CAMILLE
Ave para recolher os dons de Fênix, estrela que encontrou de vez na sombra e no oceano – e que esteve entre o sol e a poeira, na maciez do barro enfim ressuscitado.
Ela esteve no mar, depois na praia descoberta, e no final do túnel, vão da escada, amor-derrota bem próximo à janela.
Seu corpo exaltava exílio e ostras, o coração pulsava como um incêndio, as mãos tocando chama e desespero com inigualável horror.
O corpo tombava como o touro tomba na arena só, prostrado.
A voz – a mesma que calou ao pronunciar Rodin – jamais conteve o astro.
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O
ENSINO E A ÉTICA NA CONTEMPORANEIDADE
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O presente trabalho apresenta uma
discussão e reflexão a respeito da ética na vida docente, buscando responder a seguinte pergunta: Qual a
relação entre ser professor e a ética? Embasado no artigo: Nas trilhas da ética
e da espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico de
Auricélia Lopes Pereira, e no texto: Professor, personalidade saudável e
relações interpessoais: por uma educação da afetividade, dos autores Juan José
Mouriño Mosquera e Claus Dieter Stobaus.
Em primeira instância faz se pertinente tentar
definir o termo ética.
Para o ramo da filosófica,
ética e moral tem significados diferentes. A ética está pautada aos valores
morais que orientam o comportamento humano em sociedade, a moral por sua vez
está ligada aos costumes, normas, tabus e convenções instituídas por cada
sociedade.
No artigo: Nas Trilhas da ética e da
espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico,
Pereira aborda a questão da ética pautada nas emoções, nos sentimentos, nas
questões internas dos sujeitos.
A autora ao citar Ítalo Calvino
aponta que a primeira virtude deixada escrita por Calvino para o terceiro
milênio é à leveza. A leveza seria então uma condição de subtração do peso, ou
seja, tornar-se mais leve, deixar sair os sentimentos, as questões que afligem
o ser humano. Discute também que um dos enormes desafios para o século XXI: é
tornar o mundo mais leve, diante de um mundo das constantes informações e
mudanças. O mundo contemporâneo está fragmentado, como adquirir leveza diante
de um mundo carregado, e afetado pela violência?! Precisamos urgente rever as
relações sociais, as relações do ser humano com o meio em que vive. Vivemos em
um mundo de imagens, constantes acontecimentos e mudanças, o efêmero, isto é, aquilo
que dura apenas um instante, que se esvai, mesmo assim pode ser um peso para a
alma. O que é efêmero em uma instância em outra é continuidade, a efemeridade
deixa marcas.
O professor em sua vida docente
necessita ter consigo leveza, para que possa subtrair o peso acerca das
energias “negativas” diariamente.
Um mundo cada vez mais diverso, onde todos são
diferentes e ao mesmo existem igualdades, o saber na contemporaneidade já não
dar conta das inquietações que faz parte desses novos tempos. Não que o docente
não deva dominar sua área de conhecimento, pelo contrário, o professor atual
deve dominar sua área de formação, porém precisa está ligado em outros assuntos,
e o grande paradigma da atualidade são as pontos internas do sujeito. O
professor não é um terapeuta, na sua formação docente estuda psicologia
justamente por necessitar de um olhar sensível acerca do outro.
Diante dessas considerações
percebeu-se que a ciência costumeiramente tende a separar o corpo e o espírito,
razão e emoção. Não devemos entender a ética não apenas como um conjunto de
regras, do qual o individuo é constituído, e sim a ética faz parte da
existência desses indivíduos, é sua maneira de se colocar no mundo, é sua
filosofia de vida. Enquanto a moral que são as regras estabelecidas por uma
instituição, a ética faz com que o sujeito administre a si mesmo. A ética tem o
objetivo de tornar o sujeito único, a moral apenas classifica-o.
Ainda no artigo
nas trilhas da ética e da espiritualidade, a autora infere que Felix Guattari,
na década de 90, resgata a ética a partir do conceito de ecosofia. No seu
entender a ecosofia restaura a ética como campo prático da vida. A ecosofia vem
a significar um cuidado com o mundo, com a sociedade e com o individuo, não
passa pela norma, pela moral, passa por outra atitude frente ás diferenças
éticas, estéticas, sociais, culturais e subjetivas.
A ecosofia
considera que o pluralismo é primordial e o respeito aos outros devem consistir
em todas as ações dos indivíduos.
O ser humano tende a simbolizar o
mundo, no processo de simbolização ou de dar significado ao mundo produz também
às singularidades, isto é, as diferenças. A diferença não deve ser vista como
algo a ser eliminada e sim um elemento a ser explicado, compreendido, uma vez
que faz parte de todos. A ecosofia social prioriza uma compreensão do mundo
plural, essa compreensão não visa à decodificação do outro, é respeitar a
peculiaridade do outro, o desafio do professor na contemporaneidade é ter essas
percepções, saber que vive num mundo plural e que precisa ter uma posição
acerca de uma atitude levando em conta a ecosofia social. O outro tem suas
diferenças, mas são elementos que fazem parte do humano, não sendo negativo ou
positivo necessariamente. A ética e a
espiritualidade na vida docente é uma das características a ser priorizada. O
professor deve aprender a conviver e a falar das diversas culturas, sem
estereótipos, é reconhecer que existe, sem basicamente impor um juízo de valor.
O mistério, segundo o artigo Nas Trilhas da Espiritualidade,
o mistério a estranheza são dimensões do viver. Segundo Pereira ao citar
Guattari coloca que: “A ecosofia social e ambiental impõe antes de tudo uma
reinvenção do sujeito. Só um sujeito ético está capacitado a viver num mundo
que tem como signo a pluralidade. Só um sujeito ético é capaz de, mesmo sem
compreender no seu todo, a diferença, acolher a sua estranheza”. (PEREIRA,
p.2).
Num mundo da diversidade um grande
modelo para a educação é a compreensão. São perguntas que devemos fazer
diariamente: - Como estamos nos relacionando com o outro? Como estamos
compreendendo o outro? Como estamos entendendo as diferenças? A compreensão é um dos elementos primordiais
para a vida e para o processo de educação. Como seres viventes no mundo, significamos
esse espaço onde habitamos, interpretando nossas experiências dando sentidos as
coisas, a nós e também ao mundo. Esses sentidos são possíveis graças às
impressões pessoais que também dialogam com o sentido histórico, uma vez que o
ser humano é biopsicossocial. Compreender significa diminuir a distância
entre eu e o outro. Para compreender a distância entre o eu e o outro, primeiro
é preciso compreender a distância entre o eu e minha imagem, ou seja,
compreender a si mesmo. A leveza é, pois uma atitude em relação ao outro, não
estabelece uma decodificação ou explicação, mas aceitar o outro nas suas
peculiaridades. A educação num mundo da diversidade acolhe a diferença, porém
só há acolhimento quando há aceitação e consequemente só há aceitação quando há
visibilidade.
Ao pautar a ecosofia social no
acolher a diferença, o acolhimento do sujeito por si mesmo pode ser entendido como
ecosofia mental. Trata-se de fazer um exercício de si para si mesmo (autoconhecimento).
No mundo contemporâneo precisa-se de um profissional que tenha um pensamento ou
reflexão sobre si mesmo e sobre o outro, não como um julgamento, mas como uma
forma de acolhimento. Uma das atribuições dos professores é de acolher o outro,
acolher a diferença.
As relações da ética na
contemporaneidade não se atem apenas questão respeito, porém a filosofia de
vida. A partir do momento em que o profissional tem afeto pela profissão ou área
de conhecimento e pesquisa a qual escolheu, passará esse êxtase aos educandos.
Os educandos intuem quando o educador ama a disciplina a qual leciona.
A filosofia de vida implica numa
sabedoria, para os gregos existia o saber útil que tem sua ascendência na
espiritualidade. O saber útil não era para todos os cidadãos,e sim para aqueles
que apresentavam uma meta existencial, desenvolvendo seu próprio eu, posto o
seu ethos, modo de ser. O saber útil estava ligado à Phronesis, o saber que se
propõe a refletir a respeito dos enigmas da vida e como acessar o eu.
A ecosofia mental estabelece que a
educação, e o apotegma pedagógico sugerem o retorno ao espiritual. A
espiritualidade conduz o homem a um saber terapêutico, assim o professor
precisa dessa espiritualidade para que possa conduzir a si mesmo e aos
educandos a um saber terapêutico. Para os filósofos antigos existia a enkratéia
(uma dobra de força que o sujeito faz sobre si mesmo, sobre sua própria vida).
A phronesi é o saber que serve para responder as inquietações da vida do
sujeito. Acreditar numa ética que o sujeito utiliza para si mesmo, fazendo de
si e da vida uma obra de arte. Não levaremos em conta apenas as experiências
adquiridas ao longo da vida no que diz respeito às conquistas de estudos e diplomas,
contudo pelo ser que nos tornamos, que somos e queremos ser. Que marcas
queremos tirar de nossa alma? Como chegaremos à outra maneira de viver? Como
lidar e aprender a conviver com os nossos fragmentos? Como ser ético numa
profissão que exige tanto de nossos esforços internos e externos?
A autora Auricélia ao citar Pelbart
assevera que: “em algum momento algo acontece e a vida racha ao meio,
desequilibra-se de modo que suas metades já guardam proporção alguma entre si.”
(PALBART,1998).
Geralmente “esse desequilíbrio da vida”, essa intranquilidade não é algo
essencialmente negativo. O sujeito mesmo passando pelas fases difíceis da vida,
precisa entender que isso é apenas um dado que faz parte do humano. É o sujeito
que imprimi valor a esse dado, porém é apenas um acontecimento. Os dados não
são carregados de peso, o peso é o sujeito que ao imprimir significados a esse
dado pode interpreta-o como peso. O sujeito pode então ter um novo olhar sobre
esse dado, esse interpretar os dados não precisa ser negativo, sempre se tem
outra forma de olhar e ver a vida.
A vida emocional e a relação
interpessoais dos professores, em sala de aula, um tema bastante discutido nos
últimos tempos. De acordo com os autores
Mosquera e stobäus (2002) que infere Biddle, Good e Goodson
(2000), citam Humber: que chamava a atenção da tentativa infrutífera de separar
a vida pessoal do professor e de sua vida profissional. Lembram que um
professor com mais condições de ser bem sucedido seria aquele que poderia e
deveria desenvolver uma personalidade saudável e melhores relações
interpessoais, tentando encaminhar-se para uma educação afetiva. (
MOSQUERA/STOBÄUS, p.91, 2002).
Considerando
as questões diárias emocionais afetivas, no campo pessoal e profissional
enfrentadas pelos professores, percebe-se que suas relações interpessoais estão
estreitamente ligadas a forma como ele lida com sua afetividade. Entretanto, uma das situações mais difíceis de
administrar é a hostilidade em sala de aula, na qual o profissional no ensino
deve procurar identificar seus incômodos sem projetá-los no campo profissional.
Essa hostilidade pode ter várias origens, internas ou externas, causadas ou
absorvidas. Ao identificar as origens dessa hostilidade, será possível melhor
desenvolver uma relação interpessoal com o grupo.
Ainda
se tratando das relações interpessoais, o texto fala da personalidade saudável,
onde se questiona o que é saúde, o que é doença, e qual a relação do professor
na atividade docente. Entendendo a personalidade saudável de acordo com o texto
seria quando uma pessoa consegue desenvolver sua capacidade critica e ouvir a
sua voz interior, identificando os sinais de doença, dessa forma também terá a
capacidade de ouvir o outro, compreendendo suas relações.
Conforme enfatiza os
autores: Mosquera, Stobäus:
Frequentemente nos
custa muito pra ouvir os outros, estamos muito mais preocupados em que nos
ouçam, porém pouco dispomos a ouvir. O ouvir os outros e aprender a vê-los como
são realmente é fundamental para as relações interpessoais, em especial para os
professores que devem está muito atentos e poder, assim, agir melhor na
realidade. (MOSQUERA, STOBÄUS; p. 97, 2002)
.
Assim, o princípio para
uma boa relação interpessoal, está no alto desenvolvimento, onde o profissional
saiba ouvir além de ser o mediador do conhecimento, estabelecendo uma postura
humana e reflexiva. Ao ministrar o conteúdo, o professor proporciona o
fluir da comunicação, pois seu foco são as pessoas, e estas passam diariamente
por transformações, internas e externas, estão sempre em desenvolvimento,
quebrando seus paradigmas, vivenciando complexos e mudanças. Mas o professor
não é diferente do seu foco, procura, portanto, construir-se diariamente para
melhor compreender as pessoas e seu ambiente suscetível a constantes mudanças.
Diante das considerações, trilhando o caminho da docência pela ética,
identificamos que o professor não é um ser passivo diante das transformações
sociais, este perante seu desdobramento traduz o acolhimento a vida, projetando
um novo olhar.
REFERÊNCIAS
MOSQUEIRA, Vera
Mauriño Mosqueira e STROBÄUS, Claus Dieter. O Professor, personalidade saudável
e relações interpessoais: por uma educação da afetividade. IN: ENRICONE,Délcia.(Org).
Ser Professor. Porto Alegre: EDIPUSRS,
2002, P.91-108.
PEREIRA,
Auricélia Lopes. Nas Trilhas da ética e
da espiritualidade: novas possibilidades no campo do pensamento pedagógico.
UMA MENTE BRILHANTE: UMA ANÁLISE DA
REPRESENTAÇÃO DA FIGURA DO DOENTE MENTAL SOBRE A VISÃO DA PSICANÁLISE
Davi Querino da Silva
Resumo
Este artigo apresenta uma análise
e reflexão do filme Uma Mente Brilhante, destacando a representação da imagem
da loucura, portanto no que concerne a percepção imagética acerca da suposta
visão dos cineastas e de uma literatura
relevante a temática.
Uma série de filmes vem à mente,
porém destaca-se aqui o que enfoca a figura do “doente mental” em vários
momentos. Geralmente o dito “louco” é caracterizado pelo descontrole,
impossibilitado de uma vida social contrapondo-se aos conhecidos como
“normais”.
Palavras-chave: Cinema,
arteterapia e loucura.

ABSTRACT
This article presents an analysis and discussion of the film A Beautiful
Mind, highlighting the image representation of madness, so in terms of image
perception about the alleged vision of the filmmakers and a theme relevant
literature.
A series of films come to mind, but stands out here that focuses on the figure of the "mentally ill" at various times. Usually called "crazy" is characterized by lack of control, unable to socialize in opposition to the known as "normal."
Keywords: Cinema, art therapy and madness.
A series of films come to mind, but stands out here that focuses on the figure of the "mentally ill" at various times. Usually called "crazy" is characterized by lack of control, unable to socialize in opposition to the known as "normal."
Keywords: Cinema, art therapy and madness.
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dicionário detalhado
1.
Introdução.
O presente trabalho apresenta uma
análise e reflexão do filme Uma mente
brilhante, destacando a representação da imagem da loucura, portanto no que
concerne a percepção imagética acerca da suposta visão dos cineastas e de uma
literatura relevante a temática.
Uma série de filmes vem à mente,
porém destaca-se aqui o que enfoca a figura do “doente mental” em vários
momentos. Geralmente o dito “louco” é caracterizado pelo descontrole,
impossibilitado de uma vida social contrapondo-se aos conhecidos como
“normais”.
Os filmes discutem padrões de
estereótipos. Se fosse possível traçar uma breve classificação dos modos como
são postos em cena, teríamos filmes que trariam a doença mental como patologia
biológica, cultural e como momentos. Nesse inventário, o que distingue o
“louco” do “não louco”, do “normal” do “anormal”, quando posto em cena
configura-se como uma instancia que fazem com que aqueles que se deixa envolver
pela idéia do normal ou anormal se afaste um do outro. Desse modo, passa-se a
questionar e refletir sobre como o “louco”
é visto pelo cinema.
2. Analise do filme uma mente
Brilhante
Uma mente Brilhante é um filme de
Ron Howard, que traz na sua estética a doença mental e a genialidade de John
Nash, matemático que aos 21 anos formula um teorema que o tornou aclamado na
sua área de atuação. Mas em pouco tempo ele torna-se um homem atormentado,
tendo constantes alucinações, chegando a ser diagnosticado como esquizofrênico[1],
mas após anos de luta consegue reverter esse quadro, sendo premiado com o Nobel. A esquizofrenia deve ser entendida como uma clivagem do ego.
Nash era obcecado pelo perfeito, e racional ao
extremo, esse era um fator que acabou o afastando das outras pessoas, vivendo
isolado. Na universidade, sentia-se um fracasso, era igual a todos, no entanto
tinha mania de grandeza, objetivava ser brilhante sempre, obcecado na idéia de
encontrar a teoria original que o
colocasse em destaque ( então aparece seu amigo Charles), que o aconselha a
procurar ou buscar respostas observando
as pessoas, a paisagem, a natureza e não preso entre quatro paredes, com o
elevado ego.
Mas foi em Alicia na aula de
matemática ministrada por ele que o chamou atenção, pela forma singela e
simples como ela tornara as coisas e até os problemas ou equações matemáticas
mais fáceis.
Mais tarde eles se apaixonam e se
casam, em seguida tem um filho. Tudo aparentemente estava bem, John trabalha
muito, até que se descobre que havia
algo fora do comum, ele começa a ter delírios e alucinações. Alicia é obrigada
a interná-lo em um hospital psiquiátrico, onde é diagnosticado como
esquizofrênico.
Acerca da esquizofrenia Nasar
descreve que:
se assim
podemos dizer, a esquizofrenia pode ser uma doença do raciocínio particularmente nas fases iniciais. A partir do inicio do século XX, os grandes
estudiosos da doença observaram que os pacientes incluíam pessoas com mentes
brilhantes, que os delírios que muitas
vezes, embora nem sempre, apareciam com o distúrbio incluíam vôos da imaginação
sutis, sofisticados e complexos.
( NASAR, 2006, P. 24)
O filme segue com uma serie de
desafios, John luta contra a sua suposta doença
e contra o preconceito.
John Nash se “cura” na medida em que
foi capaz de discernir entre o real e a
alucinação, quando ele percebeu que a “ menininha”(visível só na imaginação dele)
não crescia.
Ao observamos a função do ego do
personagem provavelmente seu senso de percepção do mundo estava alterado
culminando nas alucinações, isto é, a vida de decodificador secreto não existia,
e seus pensamentos transformaram-se em delírios[2].
Ao orientar-se psiquicamente
e alopsiquicamente, consegue controlar os momentos de neuroses e/ou psicoses.
O filme chama-se uma mente brilhante
justamente porque o paciente pode perceber o que fazia parte do contexto real e
o que estava no campo da alucinação.
Ele continuou sentindo alguns “sintomas”,
porém passou a ter consciência da realidade e aceitou, culminando com a
superação dos efeitos dos sintomas.
Acerca do sintoma Krutzen assevera
que: o sintoma é uma saída, uma produção que precisa ser positivada, contemplada em sua dimensão
de resposta a um momento de crise. ( KRUTZEN, 2008,p. 15).
Uma cena importantíssima e pertinente
destacar é quando os “amigos” imaginários de John, o incita matar a sua esposa,
ele volta à realidade e lutará contra isso e começa a se tratar. Esse voltar à realidade
é a atuação das funções e dos mecanismos de defesa do ego.
Nesse momento é perceptível que John
Nash teve consciência do que estava acontecendo, ou seja, há uma ação do ego e
do superego nesse processo. O fator importante no processo de “tratamento” do
paciente foi o seu mecanismo de defesa, que em algumas instancias pode ser
entendido como um surto psicótico ou a neurose e a consciência dessa fase pela
qual ele estava passando.
As constantes crises esquizofrênicas
de John podem ser em detrimento da obsessão pelos teoremas. Em suas alucinações
vive um mundo de fantasia, onde o mesmo é um decifrador de códigos que trabalha
para o pentágono e conseqüentemente
deverá manter o sigilo profissional. Depois acaba sendo perseguido pelos
supostos membros.
O filme apresenta uma narrativa
muito fragmentada e por vezes sem nexos, talvez o espectador só se der conta
que se trata de alucinações, praticamente na metade do filme.
O filme foi baseado em um livro de
Sylvia Nasar, e roteirista Akiva Goldsman.
É interessante
observar que o filme, traz nos seus elementos fílmicos o louco como individuo
que tem ou teve uma atividade na vida social, contradizendo a concepção de que
alguém que aparenta um distúrbio ou momentos de psicoses seja incapaz de exercer uma profissão ou de
conviver com as outras pessoas.
No final do filme o personagem John
Nash diz para Alicia em publico:
Sempre acreditei em
números, em equações e na lógica que
leva a razão. Mas depois me pergunto: o que é mesmo a lógica, quem decide o que
é racional? O delírio e de volta então fiz a descoberta mais importante da
minha vida, a descoberta nas equações do amor, onde alguma lógica existe. Estou
aqui por sua causa, você é a razão pela qual existo, você é minha razão[3].
Nessa cena e trecho fica evidente um
dos elementos impulsionador para as transformações na vida de John Nash, o
amor, ou seja, alguém que o escutou em seu significante, havendo um
compartilhamento do “ sintoma” que não é mais dele.
3. Considerações Finais
A
analise e as pesquisas cinematográfica acerca de Uma Mente Brilhante
aponta para que a representação da imagem do doente mental é entendida como
momentos de psicoses e neuroses. Esses momentos não devem ser entendidos como patologias,
pois a psicanálise entende que esses surtos fazem parte do humano, é uma maneira
de defesa de re-estabilizar algo que não esta funcionando bem ou alterado.
No filme Uma mente Brilhante John
Nash é um neurótico que era obcecado pelos teoremas matemáticos e tinha
alucinações.
O personagem só consegue se cuidar
ou deixar que o cuide quando consegue distinguir o que fazia parte do contexto
do real e que estava no mundo das alucinações e fantasias. Isso foi possível
por ter encontrado alguém com quem pode compartilhar a sua dor ( o conectar-se,
está em rede). John não deixou de ver seus “fantasmas” ou seus amigos
imaginários, apenas aprendeu como enfrentar essas fases de sua vida.
A história de John Nash discute a genialidade,
a loucura e um novo despertar.
4. Referencias
Esquizofrenia.
Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/voce/esq.html,
acesso em 20.10.2010.
Delírio. Disponível
em: http://www.psicosite.com.br/tra/psi/psicose.htm,
acesso em 10.10.2010.
NASAR, Sylvia. Uma mente Brilhante. Rio de Janeiro: Record, 2006.
PENAFRIA, Manuela. Análises de
filmes- conceitos e metodologia (s). Disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/bocc-penafria-analise.pdf,
acesso em 02.10.2010.
CORREIA, Eugenia. Psicanálises e
educação: a escola nova em perspectiva. Brasília : Iattermund,
1997.
UMA Mente Brilhante. Diretor:
Ron Howard. Interpretes: Rossel Crowe, Jennifer Connelly, dentre outros.
Roteiro: Akiva Goldsman. 1 DVD ( 136 mim
) color NTSC..Studio Universal Pictures.
KRUTZEN, Eugenia
Correia. Oficinas terapeuticas:
elementos na interface arte e psicanálise. Rio de Janeiro: T.mais.oito,
2008.
[1] O termo "esquizofrenia" foi criado em 1911
pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler com o significado de mente dividida.
Ao propor esse termo, Bleuler quis ressaltar a dissociação que às vezes o
paciente percebia entre si mesmo e a pessoa que ocupa seu corpo. Hoje é
o nome universalmente aceito para este transtorno mental psicótico, entretanto,
no meio técnico e profissional se admite que o termo pode ser insuficiente para
descrever a complexidade dessa condição patológica.
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/voce/esq.html,
acesso em 20. 10. 2010
[2] O delírio é toda convicção inabalável, incompreensível
e absurda que um psicótico tem. Disponível em: http://www.psicosite.com.br/tra/psi/psicose.htm,
acesso em 10.10.2010.
[3] Trecho
retirado do filme Uma mente Brilhante.
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